o apoio da famÍlia para viver o mundo

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O APOIO DA FAMÍLIA PARA VIVER O MUNDO ESTADOS UNIDOS A PLURALIDADE DO PAÍS REFLETIDA NOS CANTEIROS EMIRADOS ÁRABES ENCONTRO DE CULTURAS NO ORIENTE MÉDIO O português Bruno Medeiros, integrante da Odebrecht em Moçambique, com a esposa, Susana, e as filhas, Rita (à esquerda) e Laura, em Maputo

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Page 1: O APOIO DA FAMÍLIA PARA VIVER O MUNDO

O APOIO DA FAMÍLIA PARA VIVER O MUNDO

ESTADOS UNIDOS A PLURALIDADEDO PAÍS REFLETIDA NOS CANTEIROS

EMIRADOS ÁRABES ENCONTRODE CULTURAS NO ORIENTE MÉDIO

O português Bruno

Medeiros, integrante

da Odebrecht em

Moçambique, com

a esposa, Susana,

e as filhas, Rita (à

esquerda) e Laura,

em Maputo

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Diferentes,mas iguaisNossas equipes são formadas por pessoas de 77 nacionalidades. Trabalhamos nas areias quentes dos Emirados Árabes Unidos, nas elevadas altitudes dos Andes peruanos, no interior de Angola e de Portugal, no centro de Miami e de São Paulo ou onde quer que haja um desafio a ser vencido nos 23 países em que operamos.

A Tecnologia Empresarial Odebrecht nos oferece a referência fundamental para atuar em âmbito global. Para nós, o ser humano, qualquer que seja o seu ambiente e a sua cultura, deve ser, sempre, o princípio, o meio e o fim de todas as ações que realizamos.

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Diferentes,mas iguaisNossas equipes são formadas por pessoas de 77 nacionalidades. Trabalhamos nas areias quentes dos Emirados Árabes Unidos, nas elevadas altitudes dos Andes peruanos, no interior de Angola e de Portugal, no centro de Miami e de São Paulo ou onde quer que haja um desafio a ser vencido nos 23 países em que operamos.

A Tecnologia Empresarial Odebrecht nos oferece a referência fundamental para atuar em âmbito global. Para nós, o ser humano, qualquer que seja o seu ambiente e a sua cultura, deve ser, sempre, o princípio, o meio e o fim de todas as ações que realizamos.

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E D I T O R I A L

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Então, um dia, surge a oportunidade de viver e

trabalhar no exterior. O convite, por fim, chegou. Por mais que houvesse desejo e perspectiva real de sair do país de origem, quando a proposta se concretiza a reação é de choque. Natural. É o que acontece quando o sonho é confrontado com a iminência de sua realização. Depois da surpresa, vem o sentimento confortador da conquista de uma grande meta. No caminho que se descortina, fica nítida a possibilidade de acelerar o processo de crescimento pessoal e profissional. Malas feitas, casa esvaziada, família vivendo um turbilhão de emoções, é hora de partir. Dessa viagem, ninguém sairá igual.

Nesta edição de Odebrecht Informa, dedicada ao tema “Diversidade Cultural”, você conhecerá histórias que simbolizam a capacidade do ser humano de se adaptar a diferentes realidades. Mais que isso: testemunhos da suplantação de barreiras, por meio da inteligência e da determinação, para integrar-se a contextos e circunstâncias completamente

PROTAGONISTAS DE UMA JORNADA SEM LIMITES

novos. Nas reportagens a seguir, você mergulhará em verdadeiras lições de convivência respeitosa e produtiva protagonizadas por integrantes da Organização Odebrecht durante as missões empresariais que lhe são confiadas mundo afora.

Em 2014, quando celebra 35 anos de sua estreia internacional, no Peru, a Organização conta com 180 mil integrantes, de cerca de 80 nacionalidades, atuando em 23 países de quatro continentes. Eles têm como referência os princípios da Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO), uma filosofia de trabalho e de vida concebida para ser levada à prática em qualquer lugar, sob quaisquer condições. Nas reportagens desta edição, você verá por que, com seu talento e motivação e com a essencial ajuda da TEO, as equipes da Odebrecht se sentem em casa onde quer que estejam. Vivendo o mundo. Passando por transformações. Conhecendo seus pares desta imensa e sempre surpreendente família chamada humanidade. Boa leitura. ]

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3Odebrecht informa

π Ash Vijaykumar e Yunwei Tong nas obras da Grand Parkway, em Houston, nos Estados Unidos: canteiro com o jeito do país

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D E S T A Q U E S

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Atuação da Odebrecht em quatro continentes dá vez a uma paradigmática experiência de compartilhamento de expectativas, troca de conhecimento e integração

No dia a dia do canteiro de obras do projeto Sonaref, na Província de Benguela, o convívio produtivo de pessoas de 18 nacionalidades

ANGOLA

30 57

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Tradicional ambiente formador de integrantes da Odebrecht, o país recebe, de regresso, profissionais que estavam no exterior

EQUADOR

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BRASILIntegrantes nascidos em outros países dão sua contribuição para que a Odebrecht Realizações Imobiliárias atinja seus objetivos

MOÇAMBIQUEConheça histórias de bom acolhimento, descobertas e compreensão em meio à diversidade, nas quais as famílias têm papel de destaque

CAPA Foto de Américo Vermelho.

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Diversidade Cultural

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5Odebrecht informa

Saiba um pouco sobre o cotidiano de Augusta, Vitor, Carla e Daniel, integrantes da Odebrecht que atuam em países das Américas, da África e da Europa

GENTE

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COMUNICAÇÃOOrganização Odebrecht lança nova Política para o assunto, como consequência da diversidade, do porte e do impacto de seus negócios, entre outros fatores

INTERNACIONALIZAÇÃOChegada da Braskem a outros países vem proporcionando vivências transformadoras aos protagonistas desse grande movimento empresarial

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Luiz Bueno fala dos desafios, dos aprendizados e das trocas decorrentes da decisão de morar fora do paísde origem

ENTREVISTA

ARGUMENTO

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Luiz Teive e um testemunho da aplicação da Tecnologia Empresarial Odebrecht mundo afora

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C A P A

A FORÇA QUE VEM DAS DIFERENÇAS PRESENÇA DA ORGANIZAÇÃO ODEBRECHT EM 23 PAÍSES DE QUATRO CONTINENTES PROPORCIONA A SEUS INTEGRANTES A POSSIBILIDADE DE TORNAREM-SE AGENTES DE UM SIMBÓLICO E PRODUTIVO PROCESSO DE INTEGRAÇÃO DE PESSOAS DAS MAIS DISTINTAS ORIGENS

D i v e r s i d a d e C u l t u r a l

Sandeep e Sirisha Pothuri são integrantes indianos da Odebrecht em Abu Dhabi

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7Odebrecht informa

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D i v e r s i d a d e C u l t u r a l

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Lennon Almeida nasceu no Bonfim, em Salvador, foi trabalhar em Angola, depois no Peru, então no México e, desde 2013, está no Equador, ao lado da esposa pernambucana e da filhinha deles, nascida em Quito. O angolano Jorge Manuel da Silva vive hoje em Havana, Cuba, país com o qual mantinha antigas e afetuosas relações. O holandês Yvo Paul Antonius navegou o mundo – da costa europeia à Ásia e às Américas –, agora mora no Brasil, com endereço profissional na Bacia de Santos. Fora de seu Líbano natal há mais de 20 anos, Rami Nassar já passou por projetos em Miami e Nova Orleans, nos Estados Unidos, nos Emirados Árabes Unidos e em Angola, e hoje trabalha em Houston, no estado norte-americano do Texas. Em Abu Dhabi, o casal Sirisha e Sandeep Pothuri reúne-se com conterrâneos em um centro social indiano, para celebrar os festivais da Índia. Todos eles são integrantes da Odebrecht que estão no mundo, vivendo a experiência de servir em meio à diversidade cultural.

Histórias de trabalho e de vida como as de Lennon, Jorge Manuel, Yvo, Rami, Sirisha, Sandeep e de muitos outros são a matéria-prima desta edição de Odebrecht Informa. Na chegada dos primeiros textos à redação, e mesmo antes, durante a apuração das reportagens, foram surgindo, para a satisfação de quem os lia, frequentes manifestações da importância da família. Com o apoio de seus cônjuges e filhos, os integrantes da Organização Odebrecht protagonizam vivências transformadoras para si próprios e para as pessoas com as quais se relacionam nessa história empresarial que fala, sobretudo, de avanço e desenvolvimento – de comunidades e indivíduos, ligados pelo respeito, a admiração e o desejo de integrar-se para construir, juntos, um mundo cada vez mais plural e produtivo.

π O haitiano Desilien Ceus e o brasileiro Kleber Albuquerque, integrantes da Odebrecht Agroindustrial: entendimento e cooperação

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9Odebrecht informa

SEJAM TODOS BEM-VINDOS

Texto Elea Almeida | Foto Mohammed Baker

NOS EMIRADOS ÁRABES UNIDOS, INTEGRANTES DA ODEBRECHT CONVIVEM EM MEIO A UM REVELADOR ENCONTRO DE CULTURAS

A emirati Salama dispõe de uma sala de reza exclusiva no escritório

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D i v e r s i d a d e C u l t u r a l

O casal Sirisha e Sandeep Pothuri reúne-se com conterrâneos em um centro social indiano em Abu Dhabi para celebrar os festivais da Índia. De dupla nacionalidade, Farid Dallal aliou as tra-dições libanesas ao gosto brasileiro pelo fute-bol e pelo churrasco. A filipina Cherrie Bancod aprendeu a cozinhar com muito esforço para saciar a vontade dos temperos de casa. Emirati, Salama Al Kenji tem uma sala de reza exclusi-va para ela no escritório em que trabalha. Com culturas distintas, essas cinco pessoas compar-tilham desafios pessoais e profissionais no dia a dia de atuação da Odebrecht em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde a empresa com-pletou em 2013 dez anos de presença e de servi-ços prestados.

Com o reconhecimento e a solidez con-quistadas após sua primeira década no país, a Odebrecht Infraestrutura - África, Emirados Árabes Unidos e Portugal já reúne nos Emirados quase 300 integrantes de mais de 20 nacio-nalidades. “Estar em um ambiente tão rico faz com que você aprenda novas formas de traba-lhar e evolua como ser humano. É desafiador, sobretudo, pela barreira do idioma, mas sempre

encontramos uma forma de nos comunicar”, diz Sandeep, da equipe comercial.

Ele chegou aos Emirados em 2009, cerca de um ano depois de ingressar na Organização em Miami, nos Estados Unidos. Após o casamen-to, a esposa Sirisha mudou-se para Abu Dhabi e também começou a trabalhar na Odebrecht, sua primeira experiência profissional. “Quando che-guei para meu primeiro dia, estava insegura por causa das diferenças culturais. Logo percebi que poderia conversar com meus colegas e líderes, porque eles tentam ensinar tudo o que sabem”, conta Sirisha. “Na minha área, temos quatro nacionalidades trabalhando juntas. Superamos a barreira do idioma e aprendemos a conviver juntos”.

Sem nunca ter ouvido falar da Odebrecht an-tes de seu primeiro contato com a Organização, a emirati Salama também entendeu desde o co-meço que, apesar de estar em uma empresa bra-sileira e, portanto, com uma cultura muito dife-rente da sua, suas crenças e costumes muçulma-nos seriam respeitados. Ao não encontrar uma sala separada dos homens para poder rezar, co-mo manda a tradição, ela comunicou isso à sua

π Sandeep e Sirisha: marido e mulher superando juntos o desafio da comunicação com os colegas

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11Odebrecht informa

especialmente feliz ao ver a quantidade de fili-pinos na empresa e no país. Em sua primeira ex-periência no exterior, isso facilitou a adaptação. Ela salienta que a família é muito importante na cultura local e, seguindo o exemplo, apesar de ter chegado aos Emirados sozinha e solteira, ho-je é casada e tem um filho de um ano. “A cha-ve para conseguir se adaptar é a comunicação e o respeito. Você precisa se comunicar com seus colegas e respeitar as diferentes crenças e cos-tumes, aceitar as pessoas como elas são, além de trabalhar duro”, aconselha.

Filho de libaneses e nascido no Brasil, Farid também optou por construir sua história em Abu Dhabi. Ele viveu sete anos em São Paulo, até que seus pais se mudaram para o Líbano, com o intuito de que os filhos conhecessem a cultura árabe. Voltou ao Brasil para fazer fa-culdade, quando adquiriu o sonho de viver nos Emirados Árabes, o que se concretizou em 2006, ao chegar a Dubai para trabalhar na Odebrecht. Desde então, já passou também por Djibuti, Moçambique, Guiné e Portugal.

π Para Farid, a ida para os Emirados Árabes Unidos significou a realização de um sonho

liderança. Em apenas um dia, o espaço já estava à sua disposição, porque, segundo ela, há um es-forço para respeitar a cultura emirati.

Seu colega Sandeep conta que estava pronto para enfrentar um grande choque cultural, mas, em vez disso, se sentiu bem acolhido e confor-tável diante da receptividade do país e do am-biente de trabalho “recompensador e desafia-dor”. “Há uma cultura muito forte, mas muito boa e que respeita as diferenças. Além disso, na Odebrecht, você tem indianos, americanos, brasileiros, portugueses. Essa diversidade ensi-na a lidar com isso”, argumenta. Salama expli-ca que algumas diferenças locais precisaram ser aprendidas. “Mas isso se revolve, porque, como a Odebrecht ensina, todos são iguais, todas as culturas são importantes e somos como uma grande família no canteiro”.

Saudades de casaA harmonia e a união dos integrantes presen-tes na Odebrecht em Abu Dhabi contribuem pa-ra amenizar as saudades de casa. Cherrie ficou

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Na comparação que faz, em retrospectiva, en-tre suas expectativas e a realidade que encon-trou, dois pontos ganham destaque: esperava um país mais voltado ao mundo árabe, mas en-controu um povo muito aberto e respeitoso em relação a outras religiões e culturas. Achava que seria um funcionário comum, em uma empresa comum, mas tornou-se, isto sim, integrante de uma organização em que o “ambiente familiar, do motorista ao diretor de contrato” é uma das principais características.

“Isso fez com que eu me esforçasse ainda mais para ficar. A TEO [Tecnologia Empresarial Odebrecht] faz com que cada um se sinta à von-tade para trabalhar no que gosta e crescer”, res-salta. Segundo Farid, uma das formas encon-tradas para amenizar os desafios das barreiras

culturais na empresa foram as aulas de idiomas. São ministradas aulas de inglês e de português para capacitar as pessoas e melhorar a comuni-cação entre os integrantes.

Eduardo Badin, Diretor de Contrato em Abu Dhabi, defende que é preciso um elo comum que permeie toda a diversidade cultural para garan-tir uma harmonia no ambiente de trabalho. “No nosso caso, esse papel é da TEO. A cultura única da Organização permite que essa diversidade se transforme em um grande ativo nosso. A rela-ção de confiança entre líder e liderado faz com que, com ou sem diferença cultural, as pessoas cresçam dentro de seus programas, ao passo em que entregam resultados ao cliente”, diz Badin, integrante da Odebrecht desde 1993, mas novo em Abu Dhabi, onde está desde abril de 2014. ]

π Cherrie: “Você precisa aceitar as pessoas como elas são”

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13Odebrecht informa

COM O CONTROLE NA MÃO

Texto Emanuella Sombra

I D E I A S

A Embraport desenvolveu uma solu-ção criativa e de baixo custo para oferecer mais segurança à conferência dos lacres dos contêineres durante a inspeção sobre as carretas. O dispositivo está sendo usado pela primeira vez no Porto de Santos e tem como função bloquear a movimentação dos veículos. Uma botoeira elétrica é acio-nada pelo vistoriador e neutraliza a caixa de marcha da carreta. Quando termina o trabalho, o profissional aciona o mecanis-mo e dá sinal verde ao motorista.

O Gerente de Manutenção José Roberto Rocco explica que, por se tratar de uma atividade repetitiva, em que o vistoriador e o motorista não se veem, a tendência é que ambos se distraiam. “Foi um risco ma-peado por nossa equipe de Segurança no Trabalho”. Estão sendo testados 42 con-juntos (que custaram R$ 250 cada um). A previsão é de que, até o fim de maio, o dis-positivo seja usado em 100% das confe-rências.

Em construção pela Odebrecht Realizações Imobiliárias em São Paulo, o Parque da Cidade será o primeiro empreendimento brasi-leiro a adotar o sistema de coleta automatizado de resíduos a vá-cuo. Os pontos de coleta, que serão divididos em três frações (orgâ-nica, comum e reciclável), receberão os rejeitos, encaminhados por uma tubulação subterrânea a 70 km/h até uma central no subsolo. Separadas nos respectivos contêineres, cada fração do lixo será le-vada ao térreo por um elevador e coletada pelos caminhões. Além de silenciosa, segura e sem odor, a gestão facilitará a reciclagem e reduzirá o número de viagens até os aterros – e, consequentemen-te, de emissões de CO2.

π Carreta com contêiner no Porto de Santos: mais segurança durante

a conferência de lacres

COLETA DE RESÍDUOS A VÁCUO

Em parceria com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a Odebrecht Agroindustrial implantará polos de melho-ramento genético da cana-de-açúcar em du-as unidades da empresa: Rio Claro e Morro Vermelho, em Goiás. Campos experimentais receberão um conjunto de variedades não comerciais (clones). O objetivo é criar um censo varietal mais equilibrado e mais adap-tado às novas regiões do cultivo, que garan-tirá maior produtividade à empresa.

MELHORAMENTO GENÉTICO

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Ode

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D i v e r s i d a d e C u l t u r a l

π Yvo: humildade para tratar todos sempre com respeito

O holandês Yvo Paul Antonius, 47 anos, é o coman-dante do navio-sonda ODN I. Nada lhe traz mais alegria e prazer que estar no mar, seja exercendo seu ofício mundo afora, seja, nas horas livres, pratican-do surfe nas praias de Santos (SP), onde mora. Não é exagero dizer que ele é um “capitão dos sete mares”, pela sua ampla experiência em rotas navegáveis, que vão da costa europeia a países africanos, passando pela Ásia e as Américas. Em uma de suas navega-ções, no Porto de Santos, há 24 anos, ele encontrou a

O PORTO SEGURO DA INTEGRAÇÃO

Texto Edilson Lima | Foto Carlos Júnior

UM HOLANDÊS E UM BRASILEIRO PERSONIFICAM A RIQUEZA DE EXPERIÊNCIAS E CULTURAS NA ODEBRECHT ÓLEO E GÁS

futura esposa, a brasileira Ana Lúcia Margherita. Yvo é um exemplo da diversidade de experiências e cul-turas presente nas equipes da Odebrecht Óleo e Gás.

Inicialmente, por trabalhar em navios de car-ga, suas rotas internacionais eram as mais varia-das. Quis o destino, porém, que Yvo fosse esco-lhido como substituto de outro comandante para transportar uma carga até Santos. Durante a es-tadia, seus colegas e ele foram participar do car-naval de rua, para conhecer a cultura popular

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15Odebrecht informa

em plataformas e seus familiares. Hoje atua co-mo Coordenador de Manutenção do navio-sonda ODN II, na Bacia de Santos, função que exerce desde 2011, quando passou a integrar a equipe da Odebrecht Óleo e Gás.

Emerson chegou à Odebrecht trazendo am-plo conhecimento na área de manutenção. “Tive a oportunidade de trabalhar e fazer vários cursos nos Estados Unidos. Depois, passei por experiências em Cingapura e na Noruega. Em todas essas situações, o domínio da língua inglesa serviu como ponto de ancoragem para a comunicação”, ele conta. Sobre a experiência no exterior, em sentido amplo, ele ob-serva: “Você tem que ter em mente que o estrangeiro é você. Você é quem tem que se adaptar, aprender peculiaridades da cultura e respeitá-las”.

Fã dos cantores e compositores norte-americanos Josh Groban, que mistura pop com música clássica, e Clint Black, expoente da country music, Emerson usa as referências que absorveu e lapidou mundo afora e as lições da vida para liderar, no ODN II, uma equipe de 51 pessoas, das quais cinco são estrangei-ras. Quando perguntado sobre o desafio de lidar com as diferenças culturais, ele diz: “A diversidade cultu-ral envolve várias concepções e soluções. Cada pes-soa tem um ponto forte que deve ser identificado e trabalhado, para que, prazerosamente, faça parte de um único grupo”. ]

brasileira. Foi então que ele encontrou Ana Lúcia. Mantiveram contato, e, logo depois, ela se muda-ria para a Holanda. Quatro anos depois, retorna-ram ao Brasil, por força de uma proposta de tra-balho feita a Yvo. “Eu não sabia português, mas ela falava inglês muito bem. Então isso nos ajudou”, ele conta. O casal teve Anthony e Marjorie, hoje com 21 e 15 anos, respectivamente.

A barreira do idioma não atrapalhou o casal, mas, para trabalhar em águas brasileiras, Yvo teve que aprender o português, idioma que hoje domina. Em 1999, ele ingressou na Odebrecht, como comandante do navio-sonda Valentin Shashin, no qual trabalhou até 2003. Depois de passar por outras companhias, retornou à Odebrecht em meados de 2011, como in-tegrante da Odebrecht Óleo e Gás, para estar à frente do ODN I, em operação na Bacia de Santos.

“Conheci muitos países, com culturas bem dife-rentes entre si. A grande lição que aprendi foi ouvir mais o outro antes de agir. Entender o outro é a cha-ve para o sucesso. Por mais que sejamos diferentes culturalmente, temos que ter humildade para tratar a todos sempre com respeito”, ele argumenta.

“Você é quem tem que se adaptar”Assim como Yvo, o carioca Emerson Farah, 54 anos, também carrega grande paixão pelo mar. Há mais de 30 anos, ele divide suas atenções entre seu trabalho

π Emerson destaca a necessidade da identificação dos pontos fortes de cada um

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D i v e r s i d a d e C u l t u r a l

Chegar ao escritório, dar bom dia à secretária, cum-primentar o pessoal pelo corredor e sentar-se para trabalhar ao lado dos colegas de bancada. Descrita assim, a rotina do engenheiro naval Marcelo Pedro parece coisa comum. Só que a secretária é uma co-reana. Os colegas no corredor são um polonês, um croata, um inglês e um chileno. O líder é um esco-cês – ou, na ausência dele, um francês. Os vizinhos de bancada são quatro coreanos. O escritório fica no Estaleiro DSME, em Geoje, na Coreia do Sul. "Mas o clima é de empresa brasileira", garante Marcelo.

Ele desembarcou nessa “babel” em dezembro de 2011. Foi o primeiro membro da equipe (ho-je formada por 73 integrantes de 14 nacionalida-des) da Odebrecht Óleo e Gás e da parceira fran-cesa Technip, que constroem, em solo coreano,

À VONTADE NO EXTREMO ORIENTE

Texto Ricardo Sangiovanni | Foto AFP

NA COREIA DO SUL, PROFISSIONAIS DA ODEBRECHT ÓLEO E GÁS ENCONTRAM UM AMBIENTE DE INTEGRAÇÃO E CRESCIMENTO

dois navios tipo PSLV (Pipe Lay Support Vessel, tipo de embarcação usada para a instalação de du-tos que interconectam os poços e as plataformas de produção). Cada um tem 145 m de comprimen-to por 30 m de largura, capacidade para transportar 550 t de carga e para acomodar 120 pessoas. Quando ficarem prontas, no segundo semestre de 2014, as embarcações serão usadas pela Petrobras na costa brasileira.

Marcelo, 27 anos, trabalha no projeto desde a prospecção do contrato. Já atuou em várias etapas e, atualmente, é o responsável pelos itens finais da estrutura física e dos equipamentos navais. A ida para a Coreia foi o ponto culminante de um pro-cesso gradual de “saída de casa”. De Ourinhos (SP), onde nasceu, ele foi estudar em São Paulo, fez um

π A partir da esquerda, em pé, os brasileiros Gabriel Amaral e Fabio Sousa e os franceses Frederic Boudoux e Bastien

Garcia. Sentados, o coreano Han Tae-sik e o francês Pascal Pantigny: trocas e convergência no Estaleiro DSME, em Geoje

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17Odebrecht informa

recém-chegados à Coreia. No país há pouco mais de um ano, Fabio por pouco não recusou a proposta de mudar-se para o Oriente, no fim de 2012. Antes de dizer o “sim”, ele precisava do aval da esposa, Flávia, 34 anos, e da filha, Kathleen, 15.

Flávia logo concordou, mas Kathleen começou a chorar ao saber da novidade. Convencê-la custou um mês de muitas conversas – sobretudo uma, de-cisiva, com a sogra de Fabio, que por fim conseguiu persuadi-la.

Em março de 2013, dois meses após a chegada, quando a garota começava a se adaptar às aulas em inglês da escola internacional, foi preciso evacuar as famílias de alguns integrantes por conta do agrava-mento da tensão militar entre as duas Coreias. Ao todo, três famílias – a de Fabio e as de dois cole-gas indianos – foram mandadas para casa. Por cau-sa desse episódio, Fabio assumiu a responsabilidade de elaborar um minucioso plano de evacuação, com apoio da parceira International SOS. "Hoje, em caso de emergência, basta ativarmos o plano, que inclui monitoramento de riscos, pontos de encontro e pro-cedimentos de fuga."

Meses depois, os riscos de conflito militar diminuíram e as famílias puderam retornar. Hoje, a família de Fabio está totalmente adaptada. Sua filha já fala fluentemente o inglês e está cheia de amigos na escola, onde é uma das melhores alunas. "Meu 'problema' agora é outro: ela não quer mais saber de ir embora", diz Fabio. ]

intercâmbio nos Estados Unidos e morou no Rio de Janeiro antes de partir, sozinho, para o Extremo Oriente. "Mobilidade está no sangue da empresa, e eu sempre tive isso comigo", afirma.

A adaptação à culinária coreana foi um desafio. Os pratos misturam arroz, sopas, massas, carnes e verduras, fritas ou fermentadas – com muita pi-menta. Marcelo diz que aprender a gostar da comida local serviu para estreitar os laços com os colegas. Ele conta que, em um domingo em que foi preciso trabalhar no estaleiro, os colegas coreanos encomen-daram, para o almoço, uma quantidade grande de co-mida coreana. "Para mim e mais dois estrangeiros, pediram sanduíches. Nós agradecemos a gentileza, mas recusamos. Preferimos comer a comida que to-dos estavam comendo. Isso ajudou a gerar uma inte-gração maior."

Os coreanos, por sua vez, têm se adaptado bem à Cultura Odebrecht, segundo Marcelo. "Um cole-ga coreano comentava comigo sobre uma virtude da empresa: quando surge um problema, a preocupação principal não é procurar saber de quem foi a culpa, mas sim trabalhar junto para resolver o problema. Isso é algo novo para eles."

Apoio aos recém-chegadosO encarregado de iniciar os integrantes do proje-to na Cultura da Organização é o administrador Fabio Sousa, 33 anos, Responsável por Pessoas e Organização em Geoje. É ele quem dá o apoio aos

π "A mobilidade está no sangue da empresa, e eu sempre tive isso comigo", diz o engenheiro naval Marcelo Pedro

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Angola, São Paulo, Rio de Janeiro, Amazônia e ago-ra Estados Unidos. O administrador baiano Marcus Bandeira, 33 anos, sempre quis essa vida. "Quando criança, eu lia, na revista Geográfica Universal, so-bre países e povos e me imaginava lá um dia. Hoje, a Odebrecht é minha ‘geografia universal’, mas com um componente diferente: agora eu faço parte da reportagem, apoiando os protagonistas, ou seja, os empresários, em meio à diversidade que nenhuma lente capta", diz Marcus, que está há nove anos na Organização.

Ele é Responsável por Pessoas e Controladoria no Projeto Ascent (Appalachian Shale Cracker Enterprise). Liderado pela Odebrecht Ambiental e re-alizado em parceria com a Odebrecht Infraestrutura, Odebrecht Engenharia Industrial e Braskem, es-se projeto estuda a viabilidade do investimento em um complexo petroquímico no estado norte-ame-ricano da Virgínia Ocidental. Marcus ingressou na Odebrecht como Jovem Parceiro, em 2006, no Rio de Janeiro, e, depois de seis meses, assumiu um desafio em Angola, onde atuou nas áreas de infraestrutura e imobiliária. "Assegurar bons resultados em nosso trabalho não é tarefa fácil, ainda mais em uma nova cultura. Foram quatro anos de experiências, tínha-mos 14 canteiros simultaneamente e éramos desa-fiados por fatores logísticos, de mobilização e de di-versidade cultural", destaca.

Quando participou do processo de conquista e mobilização da Usina Hidrelétrica Teles Pires, na di-visa do Mato Grosso com o Pará, passou 18 meses em um local remoto na Amazônia. "Ainda que es-tivéssemos no Brasil, a diferença cultural foi enor-me. Talvez maior que as que vivi em Angola e nos Estados Unidos", revela.

Por mais que reafirme que correr o mundo é uma opção prazerosa, Marcus revela que, do outro lado, o pessoal, há sempre um ponto a se trabalhar. "Nossos pais sempre nos querem por perto, mas acho que os conforta saber que, mesmo distantes, nossa realiza-ção na vida é diária."

Há quatro anos casado com Karen, que foi

D i v e r s i d a d e C u l t u r a l

integrante da Organização por oito anos, Marcus destaca o quão importante foi o apoio da esposa, que o acompanha em todas as suas andanças. “Sair do conforto de São Paulo e ir morar no meio da Amazônia não foi fácil pra ela, mas após a vivência no canteiro ela se encantou e, hoje em dia, me pro-voca para saber quando teremos um novo desafio si-milar", conta, rindo. Atualmente, Marcus está lotado no escritório da Odebrecht Ambiental em Houston, no estado do Texas.

Não é só no trabalho que Marcus se redescobre. Pai de Maria Luiza, Malu, de apenas um ano, ele e a esposa cuidam da primeira filha, sem babá e longe da família. “Brinco dizendo que ela nem imagina em quantos lugares do mundo ainda vai morar”, comen-ta Marcus.

Agora somos cincoO engenheiro civil carioca Marcelo Moacyr, 53 anos de idade e 16 de Odebrecht, pai de três filhos adoti-vos, Julia, 13 anos, Gabriel, 9, e Arthur, 4, salienta a importância da base familiar em seus processos de expatriação. “É primordial ter ao seu lado uma pes-soa parceira, que dividirá com você as coisas boas e as dificuldades. Uma boa estrutura familiar, regada a muita confiança, é um dos segredos para dar certo”, enfatiza.

Marcelo ingressou na Organização em 1996, nos Estados Unidos. Participou de obras no setor de edi-ficações, em Miami. “Apesar de ser um profissio-nal já maduro, meu aculturamento foi natural, pois os princípios da Tecnologia Empresarial Odebrecht [TEO] eram muito similares aos meus valores pes-soais.” Durante esse período, ele teve a oportunidade de trabalhar diretamente com Marcelo Odebrecht, Diretor-Presidente da Odebrecht S.A., que, na época, era o Diretor de Contrato da obra.

“Enfrentar desafios em outro país, com outra cultura, tem alta dose de complexidade. Seu pri-meiro choque é com o idioma. Por mais que saiba-mos o inglês, a fluência na língua pode demorar um pouco, e você precisa chegar jogando. Outro ponto

DESAFIOS FAMILIARES

Texto Cibelle Silva | Foto Dimitrius Beck

APOIO E PRESENÇA DO CÔNJUGE E DOS FILHOS TORNAM AINDA MAIS REALIZADORA A EXPERIÊNCIA DE TRABALHAR NO EXTERIOR

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19Odebrecht informa

π Boa estrutura familiar é um dos “segredos”, segundo Marcelo Moacyr (na foto com a esposa, Angela, e os filhos, Julia, Arthur e Gabriel)

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interessante é a maneira de fazer negócio. Os Estados Unidos são um país onde as condições legais e con-tratuais são diferentes das nossas no Brasil”, explica.

Marcelo e sua esposa, Angela, a Gigi, iniciaram um processo de adoção no Brasil. Houve surpre-sas antes de um final feliz. “Recebemos Julia com dois dias de vida, mas não sabíamos que a legisla-ção norte-americana diz que é necessário ficar por dois anos no país de origem da adoção antes de morar nos Estados Unidos”, explica. Diante desse cenário, Gigi retornou ao Brasil e, por oito meses, Marcelo tornou-se passageiro assíduo da ponte aé-rea Estados Unidos-São Paulo. Ao retornar ao Brasil, Marcelo optou por assumir os negócios de sua famí-lia. No início de 2004, quando pensou em retornar à Organização, ele e a esposa receberam outra boa notícia: a chegada de Gabriel, segundo filho fruto da adoção.

Em 2005, Marcelo recebeu um convite para voltar à Organização. O desafio era novamente nos Estados Unidos, na obra do Aeroporto de Miami. “Na época, éramos quatro. Despachamos todas as nossas coisas para Miami. Eram muitas caixas!”, relata. Já no se-mestre seguinte, ele recebeu uma ligação sobre ou-tro desafio no Brasil. “Foi algo do tipo: estão mon-tando o time, você topa? Minha resposta foi: se a Organização está precisando e eu posso contribuir, por que não?”. As muitas caixas que saíram do quar-to andar de um prédio em São Paulo e foram para

Miami retornaram exatos seis meses depois, para o mesmo prédio, mas, dessa vez, para o nono andar.

De volta ao Brasil, de 2006 a 2011, Marcelo atuou na equipe da empresa Bairro Novo, mais tarde incor-porada à Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR). Durante a entrevista à Odebrecht Informa, ele fez um parêntese: “Eu estava em reunião e vi uma ligação da Gigi. Não atendi, mas ela insistiu. Depois, mandou mensagem pedindo que eu retornasse urgentemen-te, mas que não me preocupasse, pois era uma coisa boa. E de fato era. ‘Nascia’ o Arthur, nosso terceiro filho”. Marcelo, após a adoção de Julia e Gabriel, não esperava ser procurado e nem se recordara de um ca-dastro de adoção feito em uma cidade do interior do Paraná. Ele conta, sorrindo, o que disse Gigi: “Não consegui falar com você, mas tomei a decisão por nós. Disse ‘sim’”.

No fim de 2011, ele recebeu uma nova propos-ta de trabalho, novamente nos Estados Unidos, na Odebrecht Ambiental. Ele hoje mora em Houston e faz parte da equipe de Novos Negócios. “Oportunidade ímpar, desafiadora. E lá fomos nós. Agora já éramos cinco”, relembra Marcelo, rindo. “Para as crianças, a experiência de conviver com ou-tras culturas é enriquecedora, pois os faz respeitar e apreciar a diversidade, além de ampliar os horizontes deles desde muito cedo”, conta Gigi. Marcelo com-plementa: “Você cria um laço ainda maior, sai de sua zona de conforto, mas com amor”. ]

π Karen, Marcus e a filha, Maria Luiza: “Nossa realização de vida é diária”, ele afirma

D i v e r s i d a d e C u l t u r a lD i v e r s i d a d e C u l t u r a l

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21Odebrecht informa

A R G U M E N T O

Saí do país pela primeira vez em 1984, com destino ao Peru, quando a Odebrecht estava começando sua internacionaliza-ção. Quatro anos depois, de volta ao Brasil, assumi a obra do Porto de Sergipe, seguida do contrato de execução do com-plemento do terminal 1 do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Em 1990, voltei ao exterior, ficando seis anos no Equador, 13 nos Estados Unidos e outros quatro em Portugal. Minha família e eu nos sentimos realizados com o caminho que percorremos. Aprendemos a conviver com a diversidade, a respeitar e a absorver particularidades culturais. Hoje, re-sultado desse aprendizado, temos uma visão de mundo e de vida muito mais flexível.

O mais interessante é poder dizer que a Cultura da Organização é praticada sem dificuldades, em todos os lu-gares por onde passei. A vivência da Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO) é muito simples e sem fronteiras, porque os conceitos e valores são humanos. A comunicação trans-parente, o espírito de servir, o desenvolvimento das pessoas, a delegação, a confiança e a simplicidade aplicam-se mara-vilhosamente bem em qualquer cultura. Nas conquistas das obras do aeroporto de Miami, nos Estados Unidos, da Mina de Moatize, em Moçambique, ou na operação de retirada das pessoas na saída da Líbia, a prática da TEO foi fundamental

para os resultados obtidos. Eram pessoas de muitas nacio-nalidades diferentes, motivadas e unidas em torno de mis-sões específicas, com objetivos comuns em alinhamento com seus Programas de Ação. Especialmente nos momen-tos de dificuldade, prevaleceu o espírito de servir, pois não importavam as origens; todos se ajudaram na busca pelos resultados desejados.

Agora, pouso no Galeão, para assumir mais um desafio, com grandes expectativas das melhorias a serem implanta-das, que o Rio de Janeiro e o Brasil tanto merecem. Toda a minha trajetória na Odebrecht foi pautada na melhoria da qualidade de vida das pessoas por meio da transformação proporcionada por obras de infraestrutura. Agora, com uma concessão de longo prazo no Brasil, a transformação ocorrerá não só pelas obras, mas, sobretudo, pela busca diária do apri-moramento da experiência de todos que utilizam o aeroporto. Para atuar comigo nesse desafio, em que a prática do espíri-to de servir se destacará nas relações com passageiros, linhas aéreas, entidades governamentais e prestadores de serviços, mobilizamos pessoas da Organização, algumas com experi-ências internacionais, outras com vivência no Brasil e outras que vieram do mercado, com o necessário conhecimento de operação de aeroportos. A diversidade dos sócios e da equi-pe estará unida pela prática da TEO, que, pelos valores hu-manos, será rapidamente vivenciada, absorvida pelos novos integrantes e praticada por todos, com o objetivo de devolver aos brasileiros o orgulho do seu aeroporto do Galeão e a todos os estrangeiros a certeza de que, como já disse Gilberto Gil, “o Rio de Janeiro continua lindo.” ]

UMA FILOSOFIA SEM FRONTEIRASL U I Z T E I V E R O C H A

Luiz Teive Rocha, nascido no Rio de Janeiro e criado na Bahia, é responsável pela concessão do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), que conta com a participação da Odebrecht, Changi Airport (Cingapura) e Infraero como sócios.

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"NOSSA CULTURA É PRATICADA EM TODOS OS LUGARES POR ONDE PASSEI"

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TÃO DIFERENTES, TÃO IGUAIS

Não é difícil pensar em diversidade quando se fala da presença da Odebrecht no território norte-ame-ricano. O país é o que mais recebe imigrantes desde o século 17, quando teve início a colonização ingle-sa. De acordo com o censo de 2010, os estrangeiros somam cerca de 35% da população americana. A maioria é de origem hispânica: são 50 milhões, re-presentando 16,3% da população. Os asiáticos, por sua vez, representam o grupo de mais rápido cresci-mento: somam 14,6 milhões e correspondem a 4,7% da população. A Odebrecht reflete essa característica do país.

Texto Luciana Lana | Foto Dimitrius Beck

D i v e r s i d a d e C u l t u r a l

π A indiana Ash Vijaykumar com o colega chinês Yunwei Tong: estreia em canteiros de obra

ODEBRECHT NOS ESTADOS UNIDOS REFLETE UMA DAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO PAÍS: A DIVERSIDADE ÉTNICA

Muito além do “caldeirão de etnias” – o melting pot americano –, a imigração nos Estados Unidos merece ser observada de forma atenta e sem generalizações. É o que recomenda David Peebles, Responsável por Desenvolvimento de Negócios no Projeto Ascent (Appalachian Shale Cracker Enterprise), ao ser questionado sobre a diversidade no país e, especificamente, na Odebrecht. Esse pro-jeto estuda a viabilidade do investimento em um complexo petroquímico no estado norte-america-no da Virgínia Ocidental. “Cada uma das cinco re-giões em que estamos presentes tem características

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23Odebrecht informa

crescimento econômico, baseado na atividade petro-lífera, tem oferecido oportunidades de trabalho que atraem pessoas de todas as regiões do país, assim como do exterior. A cidade abriga o Centro Espacial Lyndon B. Johnson, da Nasa, e o Texas Medical Center, maior complexo de instituições médicas no mundo.

Os escritórios da Odebrecht estão em vários edifícios na cidade. No mesmo prédio em que trabalha David, fica a Odebrecht Corretora de Seguros (OCS). A brasileira Beatriz Schiesari é a Gerente de Riscos e Seguros da empresa, apoian-do a Braskem. Há sete anos ela vive nos Estados Unidos. “A adaptação ao país depende do grau de abertura de cada pessoa”. Para Beatriz, a Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO) é o que garante a harmonia das equipes e a longevidade dos negó-cios: “A adaptação ocorre dos dois lados, é uma via de mão-dupla: para ser bem-sucedida, depende de

étnicas, geográficas, culturais e econômicas diversas. É importante conhecer o processo de ocupação des-sas regiões para compreender o que se passa em cada uma delas”, diz.

Presente há 24 anos nos Estados Unidos – des-de o início sediada em Miami, na Flórida –, a Odebrecht atua, no país, nos negócios Construção, Engenharia Industrial, Óleo e Gás, Engenharia Ambiental e Química e Petroquímica. Atualmente, conta com mais de 2 mil integrantes, de 33 nacio-nalidades, e realiza projetos nos estados do Texas, Flórida, Pensilvânia, Louisiana e Virgínia Ocidental.

Nas estantes do escritório de David Peebles, em Houston, no Texas, vários livros tratam da ocupa-ção do território norte-americano. Sobre a mesa de trabalho, há uma pesquisa sobre o crescimento da presença asiática em Houston. Quarta maior cida-de dos Estados Unidos e segunda mais populosa do Texas, Houston é uma metrópole multicultural. Seu

π David Peebles na barbearia do texano Richard Vásquez (à esquerda), em Houston:

“É importante conhecer o processo de ocupação das regiões”

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quem chega e de quem recebe, com a TEO solidifi-cando a unidade de princípios”.

Ricardo Unzer, argentino, é Diretor na Odebrecht Procurement, também baseada em Houston. Ele atende a todos os projetos industriais, em diferen-tes países. Unzer afirma: “Temos orgulho de nos-sa origem brasileira e de nossa projeção global, mas nosso objetivo é nos tornarmos uma empresa local em cada país, em cada comunidade”. Ao seu lado, no mesmo andar térreo do edifício, o baiano Gustavo Silveira, Diretor de Projetos da Odebrecht Estados Unidos, acrescenta: “A beleza do nosso negócio é es-tar ligado a um objetivo maior, que supera quaisquer diferenças culturais”.

A família e a integração“Mobilidade e flexibilidade são requisitos pa-ra os profissionais das empresas globais”, defen-de Rami Nassar, Gerente de Projetos no consórcio

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π Remi (com a esposa, Hiba, e a filha, Lana) diz que aprendeu com os americanos a ser direto

Zachry-Odebrecht Parkway Builders (ZOPB), que construirá cerca de 60 km de rodovias em Houston, incluindo 50 pontes, infraestrutura hidráulica e pra-ças de pedágio eletrônico. O empreendimento, de US$ 1,1 bilhão, integrará a Grand Parkway, complexo que atravessará sete municípios da área metropolita-na de Houston, beneficiando cerca de 7 milhões de pessoas.

Rami já passou por vários outros projetos da Odebrecht, não só nos Estados Unidos (Miami e Nova Orleans) mas também nos Emirados Árabes e em Angola. Ele saiu do Líbano há mais de 20 anos para estudar engenharia civil na Universidade da Carolina do Norte (EUA). “O apoio da família é fun-damental”, diz, ao lado da esposa, também libanesa, Hiba Nassar, e da filha Lana, de pouco mais de dois anos, nascida em Nova Orleans. Com muitos anos de experiência nos Estados Unidos, Rami acredi-ta ter adquirido o jeito americano de trabalhar: “No

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25Odebrecht informa

π Danie (na foto com a filha, Dege) enfatiza a importância

do trabalho para a integração social

Oriente Médio, assim como no Brasil, as pessoas dão voltas para chegar aonde querem. Eu aprendi a ser direto como os americanos”, assegura.

Não é diferente da indiana Ash Vijaykumar, Engenheira de Projetos nas obras da Grand Parkway. Ela também se diz “americana na forma de traba-lhar”. Ash rumou para os Estados Unidos para es-tudar na Universidade de Minnesota. Com saudade da família, voltou para a Índia, mas, depois de dois anos, decidiu seguir para o Texas, onde fez mestrado em Engenharia Civil na A&M University. “A socieda-de indiana não admite uma mulher fazer esse curso. Até meus amigos me diziam para optar por uma área mais feminina dentro da engenharia, como desenho ou tecnologia. Mas meus pais me apoiaram”, conta.

No Texas, Ash encara, pela primeira vez, o de-safio de trabalhar diretamente na obra, coordenan-do uma equipe com pessoas de várias nacionalida-des: “Nunca tive experiência de campo. Isso motiva e assusta ao mesmo tempo”, ela diz. A diversidade cultural, segundo ela, traz a oportunidade de apren-der abordagens diferentes para as mesmas questões. “Isso amplia as possibilidades de lidar com os pro-blemas”, enfatiza.

Casada com um indiano que vive em Londres, por causa do trabalho na área de petróleo, Ash co-menta que praticamente não mantém hábitos de seu país: “Eu gostava de dançar e me inscrevi em uma escola de dança indiana, em Houston, mas só fui uma vez. Também não sigo a religião indu, co-mo meus pais. Até visito templos aqui na cidade, mas apenas para encontrar as pessoas e conversar sobre o país”. Os amigos do trabalho, segundo ela, exercem o papel da família: “Eles cuidam de mim”, relata, brincando.

Nascida no Haiti, Danie Charles, Gerente de Pessoas no projeto da Grand Parkway, destaca a im-portância do trabalho na integração social. Ela che-ga a dizer: “Estou casada pela segunda vez – agora com o trabalho”. O primeiro casamento, com um militar, fez Danie se acostumar à vida em diferen-tes lugares. Fluente em quatro idiomas, ela vive nos Estados Unidos desde a adolescência e ingressou, há seis anos, na área de Contabilidade da Odebrecht em Miami. No ano passado, foi para Houston.

Na Grand Parkway, que conta com mais de mil profissionais de 19 países, Danie entrevista diaria-mente cerca de 20 pessoas das mais diversas na-cionalidades. “Eles me perguntam de onde eu sou, e, então, eu posso ensinar um pouco sobre o meu país. Surge um diálogo enriquecedor. Houston é isto: a troca de experiências entre gente de todo o mundo.” ]

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D i v e r s i d a d e C u l t u r a l

π Lennon, Juliana e a pequena Júlia: casal enfrentou uma verdadeira saga para, enfim, conseguir estar junto

Texto Cláudio Lovato Filho | Foto Holanda Cavalcanti

O PRAZER DE SE SENTIR EM CASAINTEGRANTES DA ODEBRECHT NO EQUADOR, EXPATRIADOS E REPATRIADOS, CONSTROEM UM AMBIENTE PRODUTIVO E MOTIVADOR

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27Odebrecht informa

“Minha mãe, eu preciso ir, porque tenho que lhe pro-porcionar uma vida melhor.” Foram essas as palavras de despedida de Lennon Almeida, ao deixar a casa dos pais e partir para Angola, em 2007, aos 26 anos. Ficava para trás a vida tranquila no bairro do Bonfim, na Cidade Baixa, em Salvador, onde nasceu. À sua frente, uma África para ele então incompreendida. Três anos depois, era um Lennon diferente aque-le que presenteou os pais com uma casa, no mesmo Bonfim de sua infância. Era um homem transforma-do pela exposição a uma nova realidade cultural, com todas as consequências que isso pode trazer.

Formado em Administração de Empresas pela Faculdade Jorge Amado, Lennon – cujo nome é fru-to da admiração materna pelo beatle John Lennon –, ingressou na Odebrecht em 2001, aos 20 anos, co-mo estagiário na equipe de Pessoas da Construtora Norberto Odebrecht. Um ano depois, foi transfe-rido para a Odebrecht Corretora de Seguros (OCS), empresa que ele considera o “alicerce” de sua vi-da profissional. Graduou-se em 2004 e tornou-se Jovem Parceiro. Naquele mesmo ano, um encontro casual com Genésio Couto, então Responsável por Administração e Finanças da Odebrecht em Angola, em um restaurante de Salvador, ocasionou o convi-te que culminaria com a ida de Lennon para Angola.

“Foi uma decisão difícil”, relembra Lennon. “Eu estava em uma zona de conforto em Salvador, em termos pessoais e profissionais, mas, ao mesmo tempo, queria mais, precisava me desafiar.” Foram três anos de muitos aprendizados e experiências em Angola. “A vivência com a cultura angolana foi um divisor de águas em minha vida”, afirma Lennon. Lá conheceu Juliana, engenheira civil que também trabalhava na Odebrecht. Logo iniciaram um rela-cionamento amoroso. Em 2010, o “trecho” separa-va o caminho dos dois, pois ela fora trabalhar em Pernambuco, sua terra natal, nas obras da Ferrovia Transnordestina, e Lennon, por sua vez, recebera um convite para atuar no Peru. Contrariando alguns prognósticos pessimistas, eles noivaram em janeiro de 2010. Ficavam juntos por três dias a cada mês, na Bahia ou em Pernambuco.

Lennon voltou para o Brasil em 2011, para traba-lhar na ETH (atual Odebrecht Agroindustrial). Em maio daquele ano, Lennon e Juliana casaram-se. Ele morava em São Paulo; ela, em Pernambuco. “Foram sete meses apenas com encontros em um fim de semana por mês”, conta Lennon. Em novembro de 2011, Juliana recebeu um convite para trabalhar no México, e, em seguida, Lennon também conseguiu um programa no país. Então, por fim, Lennon e Juliana passaram a ter uma vida de casados.

Dois anos depois, ele assumiu um novo progra-ma na área de Administração e Comunicação, no Equador, liderado por Geraldo Souza, Responsável por Administração e Finanças da Odebrecht no pa-ís, onde Juliana também conseguiu uma oportuni-dade. Em dezembro de 2013, nasceu, em Quito, a fi-lha deles, Júlia.

“Comecei a trabalhar com 11 anos, no restau-rante de um tio. Sempre banquei meus estudos e desde muito cedo ajudava meus pais. Agora tenho uma família, uma filha”, reflete Lennon, minutos antes de levar a equipe de Odebrecht Informa para uma visita à sua casa, durante a qual foram feitas as fotos da família que, ninguém deve duvidar, está unida por um tipo de elo muito poderoso. “O jovem que almeja um programa internacional deve cons-truir uma base muito sólida para sua carreira na Organização, além de sempre se preocupar em não cair na tal zona de conforto”, ele conclui.

A volta para casaA menos de uma hora de voo de Quito, onde vi-vem Lennon e sua família, está Guaiaquil, em cuja região a Odebrecht desenvolve o projeto de irriga-ção Daule-Vinces. Nessa obra, há um grupo de 20 profissionais equatorianos que, após terem atuado pela Odebrecht no exterior, estão de volta ao país. O Equador, onde a Odebrecht está presente desde 1987, consolidou-se como uma escola de formação de integrantes, preparados para enfrentar os desa-fios da Organização mundo afora.

É o caso de Leoncio López, 57 anos, natural de Píllaro, na Província de Tungurahua, Responsável por Engenharia em Daule-Vinces. Engenheiro civil graduado na Universidade Técnica Amabato (UTA), ele ingressou na Odebrecht em 1990, no projeto de irrigação Santa Elena. Leoncio trabalhou na Líbia por dois anos, nas obras do Terceiro Anel Viário de Trípoli.

“Foi a minha experiência pessoal e profissional mais gratificante”, ele afirma. “Relacionei-me com uma cultura muito diferente da minha de origem, com um idioma que eu desconhecia totalmente. Com o passar do tempo, adaptei-me e consegui dar minha contribuição para a boa realização do pro-jeto e para a aplicação da Tecnologia Empresarial Odebrecht. Minha maior satisfação nessa experi-ência foi ter colaborado para a formação de muitos profissionais líbios.” Da língua árabe à comida, para ele até então completamente exóticas, da arquitetura aos hábitos cotidianos, para os quais a religião mu-çulmana é a principal referência, Leoncio descobriu uma nova realidade muito diferente daquela de seu

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Para muitos integrantes da Odebrecht Equador, a experiência em Angola foi decisiva para o aprimoramento de sua capacidade de contribuição. De regresso a seu país natal, eles colocam em prática o que aprenderam em sua vivência na África. O arquiteto Gilberto Salustiano Zambrano, 34 anos, natural de Calceta, na Província de Manabí, é Responsável por Medições e Custos em Daule-Vinces. Ingressou na Odebrecht em 2004 e, quatro anos mais tarde, com pouco mais de dois anos de casado com a psicóloga Adriana, foi para Angola. Trabalhou por um ano e meio nas obras da Hidrelétrica de Cambambe. “Conheci muitas pessoas que me fizeram crescer como pessoa e como profis-sional”, ele relata. “Passei a compreender melhor as situações do nosso dia a dia. Abri meus horizontes.” Byron Andrade, 43 anos, natural de Quito, engenheiro de minas, está na Odebrecht desde 2003, nas obras a Hidrelétrica San Francisco. Em fevereiro de 2009, com a esposa, Cristina, grávida, partiu sozinho para Angola. “Fui para a África com dor e com mais dúvidas que certezas, mas também confiante de que estava tomando a decisão certa”, ele relembra. Byron chegou a Luanda falando pouco português e com muita saudade da família. “A primeira pergunta que me fiz foi: ‘O que estou fazendo aqui?’ Um pergunta que só o tempo me responderia.” No cotidiano das obras do Aproveitamento Hidrelétrico do Gove, veio a adaptação e, com ela, o desfrute de uma experiência especial, que se estendeu por três anos. “Conhecer outra cultura me levou a ser mais sensível e mais humano”, assegura o pai de María Salette, hoje com 5 anos. Ricardo Mazzutti, 59 anos, não está de regresso ao Equador, mas também teve em Angola um marco em sua vida pessoal e profis-sional. Gaúcho de Itaqui, geólogo de formação, ele ingressou na Odebrecht em 1988, indo diretamente para as obras da Hidrelé-trica de Capanda. Depois de um primeiro período de quatro anos na África, voltou ao Brasil, para atuar em propostas. Retornou à África em 1997 (Angola e Botsuana), retornou ao Brasil (Hidrelétrica de Itá), mais tarde esteve na República Dominicana, em Djibuti, em Angola outra vez, no Peru e, por fim, no Equador, onde chegou em 2012. “Meus dois filhos foram alfabetizados em Angola”, conta Ricardo. “O apoio que tive de minha esposa, Raquel, foi fundamental para que eu tivesse condições de aceitar a proposta de ir para a África. Nossa filha, Tanara, tinha 8 meses, e nosso filho, Maximiliano, 4 anos, quando chegamos a Angola. Estávamos compartilhando sonhos, acreditando juntos”, diz Ricardo, que é Gerente de Obras em Daule-Vinces e que, nos lugares mais diversos por onde já andou, nunca deixou de manter por perto a cuia de chimarrão e oferecer o mate a todos os que entram em sua sala, como acon-teceu com o repórter de Odebrecht Informa, conterrâneo dele, que, é claro, não cometeu desfeita.

A hora de regressar

π Centro Histórico de Quito: religiosidade fortemente presente

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29Odebrecht informa

π À frente, a partir do centro, da esquerda para a direita, Ricardo Mazzutti, Hugo Gaibor (de calça preta), Byron Andrade,

Leoncio López e Salustiano Zambrano. Como exceção de Ricardo e Rubem da Silva (sentado na caminhonete, o segundo à

esquerda, na primeira fila), todos são equatorianos que regressaram ao país

Equador natal e ampliou seus horizontes. Ele voltou para o Equador e para o conví-

vio diário com a esposa, Ruth, e os filhos, José Estebán, Adriana Lissette e Jorge Andrés, em 2011. Orgulhoso do serviço que prestou ao país árabe e do que aprendeu durante os dois anos vividos lá, ele diz que regressou à terra natal com muito mais conhecimento sobre a TEO, a qual lhe permitiu conviver de maneira respeitosa e produtiva e com uma cultura bastante distinta da sua.

Caminho semelhante percorreu Hugo Gaibor, 47 anos, natural de Guaiaquil, Responsável por Administração em Daule-Vinces. Engenheiro de sistemas, ele ingressou na Odebrecht em 1988, no projeto de irrigação Santa Elena. Esteve em Quito, como Responsável por Tecnologia da Informação da Odebrecht no país, e depois retornou aos canteiros, atuando em quatro grandes obras em

diferentes regiões. Em 2009, foi para Angola. Trabalhou em

Luanda e Benguela. A família – a esposa, Gloria, e os três filhos, Hugo, Gabriela e Victor – per-maneceu no Equador. Hugo chegou falando pou-co português. Dedicou-se a conhecer a história do país – que, havia pouco, saíra de um período de 10 anos de conflito armado –, obteve informações sobre as etnias, seus dialetos e costumes, viajou, compartilhou a culinária, participou de celebra-ções. “Tive um contato muito intenso com a cul-tura angolana”, relata Hugo. Em 2010, ele voltou ao Equador. “Foi uma vivência muito rica. Nossos laços familiares se fortaleceram. No trabalho e na vida, uma experiência como essa faz com que você amadureça, fique menos ingênuo, aprofunde co-nhecimentos e ratifique a importância da simpli-cidade, da humildade e do respeito.” ]

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AS VOLTAS DA VIDAANGOLA, PAÍS EM QUE A ODEBRECHT ESTÁ PRESENTE HÁ 30 ANOS, É UMA ESCOLA DE TRABALHO CAPAZ DE PROPORCIONAR LIÇÕES QUE NÃO SE APAGAM

Texto Eduardo Souza Lima | Foto Kamene Traça

π Jorge Manuel em Havana: relação antiga com Cuba

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31Odebrecht informa

Em setembro – mês em que foi assinado o contrato para a construção da Hidrelétrica de Capanda –, a Odebrecht completará 30 anos de presença em Angola. A obra foi realizada em con-sórcio com a companhia russa Technopromexport. A relação com o país, portanto, já nasceu sob o sig-no da multiculturalidade. Essa história de três dé-cadas é feita de muitas histórias de vida. Paulista de São Bento do Sapucaí, Marcus Azeredo, Diretor de Contrato do Projeto Aproveitamento Hidrelétrico de Laúca, vive há 14 anos em Angola e testemunhou grandes mudanças. A construção de Capanda tinha sido interrompida quatro vezes por causa dos conflitos armados no interior do país (que duraram de 1975 a 2002) e estava sendo retomada pela última vez quando ele desembarcou no Aeroporto de Luanda. “Naquela época, o voo chegava à noite e, do alto, a primeira impressão que eu tive foi a de que a cidade era pouco ilumi-nada”, recorda.

Quando Azeredo chegou a Angola, os con-frontos ainda estavam em curso. Hoje, o país é um grande canteiro de obras. “Vim para ficar dois anos, e um dos fatores que me motivaram a permanecer foi saber que seria um agente nesse processo de reconstrução e transformação, que eu faria diferença”, diz.

Só depois de quatro anos, a mulher e a filha de Azeredo mudaram-se definitivamente para o pa-ís. A menina, Luisa, hoje com 17 anos, é uma tí-pica adolescente angolana. O filho mais novo do casal, Francisco, que tem 7 anos, nasceu depois e está sendo alfabetizado no país. “Minha mulher, Ana Lúcia, teve muita dificuldade de adaptação no início. Hoje, ela já está bem ambientada”, con-ta ele, que é torcedor do Santos, mas que tam-bém tem um time do coração em Angola: “Aqui eu torço pelo 1° de Agosto. O angolano é mui-to parecido com o brasileiro, gosta de música e de futebol. Demorei a me adaptar ao tempero da comida daqui, mas hoje, sempre que possível, aproveitamos para comer um funge [prato típico angolano à base de farinha de milho ou mandio-ca] na casa de colegas angolanos, aos sábados”.

Jorge Manuel Silva, Sapo, fez o caminho in-verso. Trabalhando há cinco anos em Havana, na equipe direta do Diretor Superintendente da Odebrecht no país, Mauro Hueb, é o primeiro in-tegrante angolano da Organização a ser expatria-do. “Hoje eu digo que tiro 15 dias de férias em Angola, mas vivo em Cuba. Uma das boas coisas de trabalhar na Odebrecht é que fazemos mui-tos amigos, como se sempre encontrássemos em qualquer lugar uma grande família.”

π Marcus: de São Bento de Sapucaí ao interior de Angola

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π A partir da esquerda, Jonatão Timoteo, Arnaldo Heitor, Lauren Pereira, Joaquim Carvalho e Jurandy Moreira: convívio prazeroso e produtivo

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33Odebrecht informa

A ligação de Sapo com a Odebrecht começou mesmo antes de ele se tornar integrante da em-presa, também durante o conflito armado. “Entrei para a Organização em outubro de 1992, na área de Administração. Mas como, em 1984, eu era militar, e era necessário construir Capanda, fui destacado para ser o responsável pela segurança da obra”, explica.

A relação de Sapo com Cuba também é antiga, data dos tempos de caserna, por causa do acor-do militar entre os dois países. Mesmo antes de mudar-se para lá, Havana já era praticamente sua segunda casa. “Tenho muitos amigos aqui em Cuba. É um povo alegre como o angolano. E é um país mestiço como o Brasil e como será Angola no futuro”, afirma. Mas as relações de trabalho lhe reservavam gratas surpresas: “Aqui não há analfabetismo, o nível de instrução é muito ele-vado, e a vontade de aprender é ainda maior”.

Café na geladeiraA formação de profissionais locais sempre foi prioridade para a Odebrecht em Angola. Jonatão Timoteo, Responsável Administrativo do Projeto Aproveitamento Hidrelétrico de Cambambe, que hoje faz pós-graduação no Rio de Janeiro, é um exemplo desse esforço constante da empresa. “Ainda não conheci a garota de Ipanema, mas já sou quase um carioca”, garante.

Ex-militar como Sapo, ele é integrante da Organização há 15 anos. “Lembro-me da primeira vez em que me ofereceram um café fresquinho. Fresco em Angola é gelado. Fiquei a imaginar que botavam o café da geladeira”, brinca. As novelas de TV o ajudaram a se familiarizar com os mo-dos brasileiros, mas, em relação à metodologia de trabalho, houve um estranhamento inicial: “Nós, angolanos, respeitamos muito a hierarquia. Na Odebrecht, delegam-se poderes”, explica.

O baiano Jurandy dos Santos Moreira, Encarregado Geral no Projeto Empreendimentos Imobiliários, está há sete anos em Angola e ado-tou um hábito nativo sem restrições: “Comecei a implantar em minha casa o costume da reunião familiar. Eles sempre se reúnem para discutir seus problemas juntos. É uma ciência muito bonita”, conta. Nem, como é mais conhecido, nasceu em Retirolândia, no interior da Bahia. Arriscou a sor-te no garimpo em Goiás, antes de se mudar para Salvador, onde foi contratado pela Odebrecht. De lá, seguiu direto para Luanda. E, na cidade, encontrou

também o seu próprio país. “Deparei-me com uma grande variedade de culturas. Só tinha ouvido falar de carioca, nunca tinha visto um. No alojamento, com 700 pessoas tinha todo o Brasil.”

Ao longo da estrada Catata-Lóvua, em exe-cução pela Odebrecht na província de Lunda Norte, é o professor Joaquim Carvalho, natural de Luanda, quem está indo ao encontro de su-as raízes. “Meu trabalho é levar educação, no-ções sobre saúde, às aldeias por onde a via pas-sa. Tive uma experiência semelhante na cidade do Lubango, mas é a primeira vez nesta região”, conta ele, que tem quatro anos de empresa e o privilégio de trocar conhecimentos com povos como os lundas, os bangalas, os xinje, os luba, os kakete, os kafia e os bakongo. De quebra, tam-bém adquiriu uns costumes brasileiros: “Gosto de Roberto Carlos e, às vezes, peço para minha esposa preparar um feijão-preto”.

Respeito às diferençasLauren Pereira, Responsável pelo Programa Social Kukula Ku Moxi do Projeto Sodepac, é fi-lha de cubanos nascida em Miami, nos Estados Unidos, e estudou na França. Ela começou a tra-balhar na Odebrecht há quatro anos, em sua ci-dade natal. Passou pela Guiné-Conacri e, há um ano, mora em Malanje. “Logo no meu primeiro dia na empresa, ainda nos Estados Unidos, des-cobri que todo mundo falava português! E eu ti-nha estudado francês! Foi meu primeiro choque cultural”, relembra, brincando. “Na Organização, já tive líder carioca, baiano e pernambucano, em projetos com Diretor de Contrato português e angolano.” Lauren está se integrando bem à vida cultural do país. Foi ela quem apresentou a equi-pe de Odebrecht Informa ao Teatro Elinga, espaço de resistência artística de Luanda.

Nascido em Cartaxo, o Técnico Especializado português Arnaldo Heitor está há 15 anos na Odebrecht, seis dos quais em Angola. Baseado no Projeto Catata-Lóvua, ele conta que sua maior di-ficuldade no começo foi se acostumar aos nomes dados por brasileiros a algumas máquinas e fer-ramentas."Ouvia falar de girafa e jerica e pensa-va: 'estou em uma obra ou em um zoológico?'", diverte-se. Ele tem uma boa hipótese para a sua rápida adaptação: “Constatei uma coisa que é co-mum aos três povos e à filosofia empresarial da Odebrecht, que faz que essa multiculturalidade funcione tão bem: o respeito às diferenças”. ]

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LIÇÕES DE CONVIVÊNCIA

“Trabalhar aqui equivale a fazer intercâmbio cultu-ral em 18 países ao mesmo tempo”, diz a Gerente de Sustentabilidade (Meio Ambiente e Social) do proje-to Sonaref, Flávia Gabriela Oyo França. Oficialmente, fala-se inglês no canteiro, mas, no dia a dia, ouvem-se 10 idiomas diferentes. São 1.840 pessoas traba-lhando na obra: além de brasileiros e angolanos, tem gente de Portugal, República Dominicana, Tanzânia, Peru, Bolívia, China, Croácia, Egito, Espanha, Estados Unidos, Filipinas, Índia, Inglaterra, Itália, Mauritânia e México.

Administrar essa diversidade cultural é um de-safio complexo. “Tem que cuidar da lavanderia, do transporte, do lazer no fim de semana e da alimen-tação. E cada cultura tem a sua particularidade: os indianos não comem carne bovina, os muçulmanos não comem carne de porco, e os americanos não es-tão acostumados com o brasileiríssimo feijão e arroz”, explica o gaúcho Rogério Ferreira da Silva, Gerente Administrativo Financeiro. “Os próprios brasileiros têm hábitos alimentares diferentes, dependendo de onde vêm”, completa a baiana Flávia Tavares Britto, responsável pela equipe Administrativa.

A refinaria de petróleo Sonaref está sendo cons-truída na Província de Benguela, na cidade litorâ-nea de Lobito, que fica a 515 km de Luanda. Quando estiver operando em capacidade plena, processará 200 mil barris por dia. Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África, atrás apenas da Nigéria. É um projeto estratégico, pois a meta é que o país se torne exportador dos derivados de petróleo e não somente o óleo bruto. Atualmente, a Odebrecht está executando as obras de terraplanagem, cons-truindo estradas de acesso de carga pesada e um ter-minal marítimo.

O Diretor de Contrato Pablo Mensitieri Mattos é carioca. Ele entrou na empresa como estagiário e há nove anos vive em Angola. “Eu já havia morado no país quando criança, porque meu pai também tra-balhou aqui. É uma cultura que se assemelha muito

Texto Eduardo Souza Lima | Foto Kamene Traça

π Flávia Gabriela, Ramesh, Shanavas e Gurnam: pratos típicos para matar a saudade de casa

EQUIPE DO PROJETO SONAREF, EM ANGOLA, É FORMADA POR PESSOAS ORIGINÁRIAS DE 18 PAÍSES DE QUATRO CONTINENTES

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π Flávia Gabriela, Ramesh, Shanavas e Gurnam: pratos típicos para matar a saudade de casa

à nossa, é um povo muito alegre, foi fácil me acos-tumar aos costumes locais”, conta. Mais complica-do foi se adaptar a várias culturas ao mesmo tempo. “Por exemplo: se você for pedir algo a um brasileiro, antes tem que falar sobre futebol, perguntar sobre a família. Já pessoas de outras nacionalidades são bem mais diretas”, explica ele.

“Os muçulmanos jejuam durante o período sagra-do do Ramadã, os chineses costumam dormir depois do almoço. Cada cultura tem seus costumes e tra-dições, e todos temos que nos respeitar e conciliar

esses hábitos com os nossos”, diz a brasiliense Flávia Gabriela. Sua xará Flávia Britto está há quatro anos e meio no país. Rogério Ferreira chegou há menos tempo, pouco mais de um ano, mas antes passou três anos e meio na Líbia e um ano e meio em Portugal. “Como a Odebrecht é uma empresa global, muitas pessoas que trabalham aqui já estiveram em outros países. Isso incrementa ainda mais nosso caldo cul-tural”, diz Flávia Gabriela. “Aproveitamos o momen-to da desmobilização de obras em outros países, co-mo Libéria, Guiné, Gana, Moçambique e Líbia para

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formar esta equipe, pois precisávamos também de pessoas que falassem inglês, pois a empresa fiscali-zadora da obra [Kellogg, Brown and Root – KBR] é norte-americana”, explica Rogério.

O mundo no canteiro de obrasOs amigos portugueses Daniel Charrua (Técnico de Segurança do Trabalho) e Hugo Nobre (Responsável por Custos), que antes de chegarem a Lobito tra-balhavam na Líbia, encontram-se toda quarta-fei-ra e domingo para ouvir canções da banda de rock lisboeta Xutos & Pontapés e assistir aos jogos do Benfica, enquanto degustam acepipes da terrinha. Esses encontros ficaram conhecidos como “Tasca do Charrua” e também têm atraído gente de outras nacionalidades, como os brasileiros Freddy Jorge (Responsável por Custos e Subcontratos) e Américo Pereira (Responsável por Compras), ambos há sete anos em Angola, que colaboram com a diversidade culinária, misturando cuscuz e pão de queijo com o chouriço e a farinheira lusitanos.

Os indianos Shanavas Valappil e Ramesh Babu (ambos da equipe de Controle de Documento da Área de Administração Contratual), Nikhil Agarwal (da Engenharia) e Gurnam Singh Bal (Segurança do Trabalho) conheceram-se na Libéria. Os amigos ma-tam as saudades de casa à mesa, todas as noites. “A comida daqui é boa, mas, para o nosso paladar agu-çado, é pouco condimentada”, diz, pisando em ovos,

o mestre-cuca Valappil, que prepara pratos à base de muita, mas muita pimenta, de vários tipos. Quando acaba o expediente, o alojamento veste a camisa de parque olímpico, e, enquanto angolanos, brasileiros e peruanos vão bater uma bola no campo de fute-bol, filipinos e norte-americanos alinham-se para o basquete e os indianos jogam críquete na quadra po-liesportiva.

E os donos da casa, o que têm aproveitado des-sa diversidade cultural? O engenheiro Belter José Cordeiro da Silva, da área de Produção, nasceu em Luanda, mas nunca chegou a trabalhar na própria ci-dade. “Eu jamais tinha saído de Luanda e, assim que me formei, fui trabalhar em Malanje. Agora estou aqui. Aprendi que quando você entra na Odebrecht ganha uma nova nacionalidade. Na minha equipe há um americano, um português, um croata e um bra-sileiro. Sempre se aprende algo novo. Ter a mente e o coração abertos é importante. No princípio, foi difícil, pois há muito tempo eu não praticava o in-glês, mas os números e as metas falam uma só lín-gua.” Seu colega Mariano Simão Cristóvão, que tam-bém começou na empresa ajudando a construir es-tradas na Província de Malanje e no projeto Biocom (Companhia de Bioenergia de Angola), tem aprovei-tado a oportunidade para conhecer melhor o próprio país. “Conviver com gente de fora é uma grande ex-periência, mas, mesmo em Angola, há diferentes há-bitos e costumes.” ]

π Belter (à esquerda) e Mariano desfrutam do contato com a diversidade

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π Bruno com a esposa, Susana, e as filhas, em Maputo: testemunhas do desenvolvimento de Moçambique

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Texto Shirley Emerick | Foto Américo Vermelho

INVENTORES DA VIDA REAL ELES VIERAM DE PORTUGAL, DA COLÔMBIA E DO BRASIL PARA VIVER DESCOBERTAS E TRANSFORMAÇÕES EM MOÇAMBIQUE

Bruno, Jesús e José Roberto deixaram para trás conforto, comodidade e a convivência com pa-rentes e bons amigos e partiram para enfrentar desafios em Moçambique, como integrantes da Odebrecht. Na costa leste da África, ao lado de suas famílias, estão conhecendo uma nova cultu-ra. A vida atual é bem mais modesta, mas eles são unânimes em reconhecer que o aprendizado é intensamente mais rico.

Ao trazer a família de Portugal, em 2012, Bruno Medeiros já havia percorrido escolas, mercados, hospitais e condomínios residenciais de Maputo. Era a terceira movimentação fora do seu país pela Odebrecht. Concluiu que existia a estrutura ne-cessária para receber a filha, Rita, 9 anos, e a es-posa, Susana Neves, grávida de seis meses. “Tive uma empatia imediata com a cidade e logo peguei confiança”, conta ela. Laura nasceu em um hospi-tal local e hoje, perto de completar 2 anos, adora, como boa moçambicana, tudo o que tenha ritmo, música e dança.

Nesses dois anos, Rita, a primogênita, deixou a timidez e a vergonha de lado, vivenciou situa-ções em que superou alguns medos e hoje apro-veita as facilidades da tecnologia da comunicação para estar em contato com as amigas que fica-ram em Portugal. Na festa de um ano da irmã, em Coimbra, surpreendeu toda a família ao se jun-tar a duas primas e apresentar um pequeno show com músicas, coreografia e figurino. Tudo orga-nizado e ensaiado via Skype, sem qualquer in-terferência de adultos. “Pensei em uma surpresa para o aniversário da Laura, e combinamos tudo em segredo”, relata a pequena, com desenvoltura.

A principal recompensa dessa experiência no exterior, para a família, conta Bruno, é testemu-nhar o desenvolvimento de alguns valores nos filhos, diante do contato com realidades diver-sas. “Sinto que Rita tem uma preocupação com justiça e igualdade diferente das crianças da sua idade”, acrescenta. À frente da estruturação do projeto do BRT (Bus Rapid Transit) de Maputo, Bruno prevê mais três anos de permanência no país, no mínimo.

“A multiculturalidade traz ensinamentos diários”Para a família de Jesús Alvarado, a cidade de Tete, na região central de Moçambique, foi o primei-ro destino internacional. Valentina Andrade dei-xou o curso de administração e o emprego em um banco na Colômbia para acompanhar o marido e a filha, Leide, 9 anos. A adaptação não foi fácil.

π Bruno com a esposa, Susana, e as filhas, em Maputo: testemunhas do desenvolvimento de Moçambique

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Além do calor de mais de 40°C, a cidade tinha infraestrutura de comércio e serviços muito li-mitada em 2009. “Eram três restaurantes e uma padaria”, enumera Valentina, brincando. Já Leide, que era a preocupação dos pais, entrosou-se logo. “Ela se adaptou com facilidade e chegava da esco-la feliz com suas danças e músicas”, conta Jesús.

Os planos sofreram um pequeno ajuste quando Valentina descobriu nova gravidez. A decisão foi transferir a família para Maputo, para conseguir melhor acompanhamento médico. Esteban, ho-je com 4 anos, aprecia as tardes que brinca com a mãe nos parques da cidade e, com a irmã, treina o novo vocabulário em inglês que aprende na escola. Ter a família por perto e ver o desenvolvimento

dos filhos são recompensas diárias para Jesús e Valentina. “Fazer a opção por um país da África impõe certos sacrifícios, mas saímos fortaleci-dos no lado pessoal. A multiculturalidade que en-contramos traz ensinamentos diários”, acrescenta Jesús, que em Tete é coordenador de almoxarifado do Projeto Carvão Moatize.

Construindo uma nova históriaJosé Roberto Pereira está na organização há 25 anos, e Moçambique é seu primeiro projeto in-ternacional. Em 2010, recebeu o convite pa-ra integrar-se à equipe da obra do Aeroporto Internacional de Nacala. Avaliou que era o mo-mento certo para sair do Brasil.

π Jesús, integrante da Odebrecht em Tete, está enfrentando, com a família, seu primeiro desafio fora da Colômbia

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"Eu amo morar aqui"

Jerry Khouly chegou sozinho a Moçambique, em 2011, con-tratado para o projeto Carvão Moatize, na província de Tete. Três anos passaram-se, e a família agora tem brasileiros, colombianos, portugueses e moçambicanos. É assim que ele considera os amigos e colegas do trabalho e as pessoas da comunidade local: seus familiares. “Não é simplesmente que eu goste daqui. Eu amo morar aqui”, declara Jerry, dando ênfase aos verbos.

A mudança de cenário foi radical. Nascido em Antígua, na América Central, mas morador de Miami desde os 17 anos, Jerry decidiu deixar os Estados Unidos para ir trabalhar em Moçambique, que está entre os países de pior posiciona-mento em relação ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Os três primeiros meses foram os mais difíceis, mas bastou entender melhor o português para que ele fizesse amizades.

Jerry mora no alojamento do projeto e se diz feliz com o modo de vida que leva. Solteiro, ele aproveita os fins de semana para viajar pelo continente, almoçar na cidade com os amigos, participar de uma atividade no orfanato da cidade ou simplesmente assistir à TV. Em uma das viagens a Miami, a bagagem veio recheada de roupas e brinquedos, que fizeram a alegria das crianças atendidas pelas freiras no orfanato de Tete.

A carência e as condições de vida das famílias moçam-bicanas imprimiram uma marca na vida desse engenheiro civil, que nunca se arrependeu da decisão tomada em 2011. “Passei a compreender melhor as pessoas. Aprendi a valo-rizar e agradecer as pequenas coisas na vida”, salienta Jerry.

“Eu estava muito motivado, porque sabia que seria uma experiência de vida fantástica para mim”, relembra o Gerente Comercial do projeto. Divorciado, ele chegou sozinho, mas os filhos – Rafael, então com 6 anos, e Roberta, 10 – vieram alguns meses depois. Nos três primeiros me-ses, eles foram os mascotes da obra, mas, quan-do o período escolar chegou, mudaram-se para Maputo. A convivência intensa com os filhos du-rou até agosto de 2013, quando eles retornaram ao Rio de Janeiro. “Foi um período novo para nós, e eu amadureci muito”, relata.

No dia a dia da obra, conheceu a médi-ca Solange Pires. Hoje eles têm uma menina de 10 meses, Tahis Sayra Yussuf Pires Pereira. O sobrenome é bem representativo da mescla da nacionalidade dos pais – brasileira e moçambica-na – e a religião islâmica abraçada pelos dois. “Eu me converti porque fui conquistado pela simpli-cidade e caridade praticada pelos muçulmanos”, confidencia José Roberto. Solange foi uma das primeiras integrantes da empresa no canteiro. Ela é apaixonada pela Medicina do Trabalho e divi-de seu tempo em casa com o bebê e os livros, na busca de mais conhecimento e capacitação.

José Roberto e Solange reconhecem a dificulda-de que é viver distante da cidade, mas falam com orgulho da oportunidade de construir uma história diferente a 2.200 km da capital. “Estamos forman-do jovens que assumirão nossos lugares, em um lo-cal de poucas alternativas. É motivador e gratificante presenciar esse momento, e só posso reconhecer que vale a pena”, enfatiza José Roberto. ]

π Jerry: “Passei a compreender melhor as pessoas”

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E N T R E V I S T A

"VIVER OUTRAS CULTURAS ME FEZ UM SER HUMANO MELHOR"LUIZ BUENO, DIRETOR-SUPERINTENDENTE DA ODEBRECHT INFRAESTRUTURA – BRASIL

Texto Emanuella Sombra | Foto Paulo Fridman

Luiz Bueno iniciou sua trajetória na Organização por meio do Programa Básico de

Desenvolvimento de Empresários Parceiros, em 1993. Recém-formado em Engenharia Civil,

ele estava diante de sua primeira oportunidade profissional. “Foi a primeira empresa em que

trabalhei e de onde nunca saí”, diz. Mais de duas décadas depois, o hoje Diretor-Superintendente

(DS) da Odebrecht Infraestrutura – Brasil para os mercados São Paulo e Sul fala, nesta

entrevista, sobre suas decisões profissionais, entre elas, a de ir trabalhar no exterior,

com o sentimento de quem faria tudo novamente.

“Viver diferentes culturas me tornou um ser humano muito melhor”, ele afirma. Bueno foi

Diretor de Contrato em Angola por seis anos e, durante quatro, atuou como DS na Colômbia.

Depois de 10 anos fora do Brasil, retornou, em 2013, para São Paulo, sua cidade natal.

“A decisão de ir para o exterior foi uma das melhores que tomei na Organização”.

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π Quais aprendizados você destaca do tempo em que trabalhou fora do país? Quando recebi o convite para ir para Angola, em 2003, não estava nos meus planos sair do Brasil. O país vivia o pós-guerra, e o que entendemos por atendimento das necessidades básicas – água, luz, saneamento – não existia para muita gente. Lembro-me de quando trabalhávamos em um pro-jeto de produção e distribuição de água tratada em Benguela e um rapaz veio falar comigo. Ele tinha 20 e poucos anos, estava felicíssimo e vestia o uniforme da Organização. Entrou na minha sala, sentou-se e disse: “Chefe, eu vim agradecer. Ontem foi a primeira vez em que eu tomei banho no banheiro de casa. Coloquei uma cadeira embaixo do chuveiro e deixei a água cair na minha cabeça”. Eu nunca mais me esqueci disso.

π Como foi sua experiência na Colômbia?A Colômbia é um país de economia um pouco mais sofisti-cada, onde o PIB cresce mais que a média da América Latina e se faz negócios de uma maneira diferente de Angola. Tive que me capacitar rapidamente para corresponder às expectativas da Organização e aos desafios impostos pelo mercado colom-biano. Em seis meses, felizmente, conquistamos dois projetos: a duplicação e operação da Ruta del Sol, aproximadamente 500 km de rodovia que ligam Bogotá à costa Caribe do país; e a construção do Túnel Tunjuelo-Canoas, em Bogotá. Acredito que o ciclo médio ideal de um executivo no exterior esteja na casa dos 10 anos, e em 2012, entendi que era o momento de regressar. Tive a oportunidade de trabalhar em dois países com realidades muito distintas, e a sensação de voltar para casa, São Paulo, e com desafios profissionais ainda mais cres-centes, é muito boa.

π Quais são as maiores dificuldades de viver fora do país de origem?Creio que são a adaptação e a distância. Quando você fica longe da sua terra, distancia-se de sua família e amigos. Faz outros, mas se afasta do seu núcleo. E isso gera um hiato que fica com você. Há alguns acontecimentos importantes dos quais você acaba não participando. As festas de aniversário, os casamentos, os nascimentos e velórios. A vida continua, seus pais ficam mais velhos, os filhos crescem, e você observa os registros nos filmes e nas fotos dos eventos em que não esteve. No entanto, faz novos amigos, conhece outras culturas e realidades. Creio que, em meu caso, esse balanço foi positivo. Faria tudo novamente.

π Sua família o acompanhou?Não. Quando fui para Angola, minha ex-esposa tinha uma carreira ascendente no Brasil e achamos que não era conve-niente sua saída. Além disso, eu tinha uma agenda bastante apertada e que me levava a deslocamentos constantes para fora de Luanda. Eu não parava, viajava muito. Não ter levado a família me permitiu ter mais disponibilidade para o trabalho.

π Como a postura da família pode influenciar profissionalmente?A decisão de sair do Brasil para trabalhar no exterior deve ser compartilhada e decidida conjuntamente. Esse equilíbrio é muito importante, uma vez que as dificuldades de adaptação à nova cultura e de viver a distancia podem ser grandes.

π Transmitir conhecimento é uma das prioridades de quem trabalha pela Organização no exterior. Qual foi o seu maior desafio nesse aspecto?Creio que um dos grandes desafios em Angola era desenvolver os contratos no prazo e com qualidade. E, para isso, a formação e a qualificação da força de trabalho local eram fundamentais. Creio que um projeto deve gerar benefícios que transcendam a própria obra, e a oportunidade de contribuir para uma melhor sustentabilidade no interior do país foi muito gratificante. Em larga medida, contribuir para que a sociedade de cada uma das cidades onde tínhamos operação crescesse de maneira mais equilibrada.

π Na Colômbia foi diferente?Lá encontramos uma força de trabalho mais bem qualifi-cada, e o nosso maior desafio era aproximar as pessoas da Tecnologia Empresarial Odebrecht [TEO]. Como nosso crescimento no país foi muito rápido – em seis meses, saímos de 30 integrantes para mais de 2 mil –, o desafio era fazer com que as pessoas interiorizassem nossa cul-tura empresarial. E assimilar nossa cultura leva tempo, dedicação e trabalho.

π Quais características devem ter as pessoas que atuam ou querem atuar pela Odebrecht no exterior?Em primeiro lugar, precisam conhecer e praticar a TEO. É importante também a disposição para se adaptar a novas realidades, ter curiosidade, conhecer os hábitos e costumes das pessoas, ser capaz de influenciar e de ser influenciado. E, naturalmente, ter alguma aptidão para correr riscos, já que muitas vezes a realidade do país de destino é bastante diferente de nosso país de origem. É fundamental integrar-se à sociedade. Se eu tivesse que voltar 10 anos no tempo, não pensaria duas vezes, faria tudo novamente. ]

“É NO EXTERIOR ONDE O ESPÍRITO DE SERVIR É POSTO À PROVA DE FORMA MAIS INTENSA”

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Um homem, uma família, várias estradas a percor-rer. E um fusca 1962. Para Biaggio Sérgio Carollo, de 54 anos, movimento é o que dá sentido à vi-da. Quando menino, sonhava com um mundo sem fronteiras, influência das histórias contadas pelo pai, Mário, um italiano que, ao fugir da fome e da guerra, não foi aceito na França e acabou no Brasil, amparado por sua força de trabalho e sua inclina-ção multidisciplinar: era ferreiro, carpinteiro, me-cânico e eletricista.

UMA EQUIPE QUE VIU O MUNDO

Texto João Marcondes | Foto Gihan Tubbeh

Em Cornélio Procópio, no Paraná, nasceu Biaggio e uma irmã. Eles viviam no banco de trás do fusquinha, que corria o estado onde quer que seu pai estivesse fincando fundações e erguen-do paredes: Apucarana, Prudentópolis, Morretes, Bandeirantes, Guaraniaçu. "Para mim, a vida nô-made e a adaptabilidade a qualquer situação es-tão na genética", afirma ele, que é Gerente de Concessão da Rodovia IIRSA Sul, na Amazônia peruana, pela Odebrecht Latinvest. Quando

π Biaggio e Thaís: pai e filha trabalhando juntos no exterior

EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL DE SEUS INTEGRANTES É UM DOS MAIORES TRUNFOS DA ODEBRECHT LATINVEST

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45Odebrecht informa

fala em “genética”, ele refere-se ao pai, Mário. Mas também à filha, Thaís, 26 anos, psicóloga que ele estimulou a mudar de país e hoje é Jovem Parceira no Peru, trabalhando para Rutas de Lima.

Formado em Engenharia Mecânica e Civil, ele tentou antes trabalhar no serviço público, na prefeitura de sua cidade, mas não se acostu-mou. Depois, tentou a indústria, uma fábrica de cerâmicas. "Não gostei da repetição, daquele ba-rulho diário de prensa batendo. Me sentia como em Tempos Modernos [filme clássico de Charles Chaplin]", comenta, em tom de brincadeira. Preferiu o mundo.

Depois de rodar Brasil afora pela Odebrecht, foi para a Venezuela, sua primeira experiência inter-nacional, nas obras do Metrô de Caracas. "Tive muitos problemas com a língua, não entendia. Lidava com operários venezuelanos e técnicos franceses, alemães, irlandeses. "O que me fez não desistir foi o tamanho do desafio, enorme", pon-tua. "Para aprender o castelhano, ia para casa e ficava assistindo aos longuíssimos discursos do Presidente Hugo Chávez [falecido]. Ele tinha uma dicção perfeita. Aprendi logo."

A vida de Biaggio foi inspiradora para sua filha Thaís, que, hoje, vive em Lima uma intensa expe-riência de trocas. "O peruano festeja demais suas vitórias, aprendi isso com eles, bem como o fato de que a formalidade do seu povo traduz respeito e confiança", explica. O pai completa: "Você pre-cisa mudar, para ver a realidade por outro ângulo".

“Não, não, chama o seu filho!”Assim como Biaggio, o equatoriano Mario Costa Morales, de 41 anos, também teve um pai constru-tor. Mas, ao contrário dele, sua infância não foi de muitas viagens. Nasceu e criou-se em Guaiaquil, na costa de seu país. Logo cedo, o pai, de mesmo nome que ele, desafiava constantemente o meni-no de 14 anos. Por exemplo, Mario tinha que fazer o pagamento semanal dos operários, muitos ex-perientes, homens de mais de 40 anos. Alguns já tinham pedido adiantamentos, mas faziam de tu-do para que o menino fosse "bonzinho" com eles. Mario, o garoto, encontrou seu jeito de lidar com a situação. "Não descontava tudo, dava uma parte. Mais tarde cobrava. Fazia pactos, que eram cum-pridos. Depois, quando o pai surgia para fazer os pagamentos, eles diziam ‘não, não, chama o seu fi-lho!’", recorda-se, com um sorriso.

Cerca de 25 anos depois, Mario Costa esta-va na Líbia, na obra do Terceiro Anel Viário de Trípoli, onde aprendeu a ter um fundamental jogo

π Mario faz uso dos aprendizados obtidos na Líbia

de cintura, fruto de seu processo de amadureci-mento e que fez muita diferença. "Os líbios têm um processo diferente de negociar, de lidar com o tempo. Na Odebrecht, somos estimulados a so-nhar o grande sonho dos clientes. Na Líbia, deve-ríamos priorizar as pequenas metas, as pequenas conquistas do dia a dia. Só isso nos levaria à meta maior."

Não se deve ser muito rápido ao fechar negócio com um líbio, diz Mario. O gosto pela negociação, de estender esse exercício, é essencial para ter su-cesso no país do norte da África. "Aprendi muito com eles e trouxe essa experiência comigo para a América Latina", comenta Mario, hoje Diretor de Engenharia e Comercial na Latinvest, onde o foco são as concessões de longo prazo.

Engenheiro e advogado, Marcos Pereira da Silva, mineiro de Juiz de Fora, não teve um pai construtor ou uma infância de viajante. Na ver-dade, seu pai tinha aquele que já foi considera-do o mais estável de todos os empregos no pa-ís: era funcionário do Banco do Brasil. O natural

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desapego de Marcos por coisas materiais o fez ir longe, no entanto. Tudo o que teve sempre coube em uma mala.

Marcos participou da primeira obra interna-cional da história da Odebrecht, a Hidrelétrica Charcani V, no Peru, iniciada em 1979. "Naquela época, tudo era diferente. Embarcávamos rumo ao desconhecido", ele descreve com nostalgia e emo-ção. Até hoje é torcedor do Melgar, de Arequipa (e também do Tupi, de Juiz de Fora, e do Botafogo, do Rio de Janeiro).

Não parou mais. Esteve nos Estados Unidos,

Colômbia, Panamá, Líbia e agora trabalha como Gerente de Mercado na concessionária Rutas de Lima. "Sempre tive uma certeza ao fazer todas es-sas mudanças: a empresa me daria a melhor con-dição de trabalho." Para ele, trabalhar em diferen-tes países, com culturas variadas, ajuda a consti-tuir uma visão de longo prazo, essencial para o ra-mo de concessões. De várias lições, ele deixa uma em destaque: "Você tem que entender que nin-guém é insubstituível. Por isso, o mais importante é deixar seu legado para outra pessoa dar conti-nuidade." ]

π Marcos: participação na pioneira obra de Charcani V

D i v e r s i d a d e C u l t u r a l

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47Odebrecht informa 47Odebrecht informa

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“UM SISTEMA DE COMUNICAÇÃO VIVO E PALPITANTE PODE TORNAR-SE MAIS EFICIENTE GRAÇAS À TECNOLOGIA, MAS SUA EFICÁCIA RESIDE NO ESPÍRITO DOS SERES HUMANOS QUE O UTILIZAM.”

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Texto Bárbara Rezendes | Foto Edu Simões

MAIS QUE SIMPLES ALIANÇASALEX E RENATA, JUNIOR E PATRÍCIA: O COMEÇO DA VIDA CONJUGAL DE UM JEITO SURPREENDENTE E PECULIAR

“A mudança faz parte de mim. Aos 19 anos, saí de casa para construir minha carreira.” Determinação é um dos sentimentos que guiam pela vida o enge-nheiro eletrônico Alex Lage, integrante da Mectron, empresa da Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT). Nascido e criado em Araçatuba, ele deixou o pe-queno município do interior de São Paulo para fazer faculdade e, desde então, tomou gosto por mudanças, sobretudo as que contribuem para seu crescimento.

Sempre em busca de novas oportunidades, ele passou a integrar a Mectron em 2008, durante seu

mestrado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), cidade sede da empresa fabricante de produtos para uso militar e civil.

Logo no primeiro ano, participou de uma apre-sentação com um grupo que estava retornando da África do Sul, no projeto do míssil A-Darter para a Força Aérea Brasileira (FAB). “Quando vi a apresen-tação, o que me chamou a atenção não foi o produ-to. Fiquei encantado ao saber que aquelas pessoas estavam morando em outro país, vivendo costumes tão diferentes.”

π Junior e Patrícia: desafios e lições na África do Sul

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49Odebrecht informa

Ver aquela realidade tão próxima despertou em Alex o desejo de conquistar a chance de também experimentá-la. Pouco tempo depois, soube que havia uma vaga para participar daquele mesmo pro-jeto e lutou por ela. “Conversei com meu líder, in-sisti e criei a oportunidade. A decisão estava entre mim e mais uma pessoa, que acabou desistindo do processo de seleção.”

Alex não estaria sozinho nessa jornada. Era re-cém-casado e tinha acabado de trazer sua esposa, Renata, de Araçatuba para São José dos Campos. Para eles, a novidade era animadora. Com valores familiares fortes e tradicionais, o difícil foi contar para os pais. “Guardamos o segredo por sete meses e só contamos que estávamos indo para África do Sul dois meses antes de embarcar.”

A história repetiu-se cerca de um ano depois, com o casal de engenheiros da Mectron Antonio de Oliveira Junior e Patrícia Pinheiro da Cruz. Junior é o integrante número 97 da empresa, que come-çou a fazer pequenos serviços para a Mectron com 14 anos, como office-boy da área Financeira. Logo passou a integrar a equipe no apoio admi-nistrativo. Formou-se em Engenharia de Controle e Automação e foi trabalhar no setor mecatrônico. “Em 2002, meu líder me pediu para tomar conta de um projeto. Conversando, decidimos que seria pre-ciso uma pessoa para me ajudar. Ele então buscou nas escolas da região ‘a melhor aluna’ e me apre-sentou a Pati”, conta Junior. Sem saber, ali come-çava também uma história pessoal, que já dura 12 anos. “Assim, foram sete anos, sete meses e 17 dias namorando”, lembra Patrícia.

Noivos há um ano, em 2010, Junior foi convi-dado a ir para a África do Sul participar do projeto A-Darter. A proposta veio em julho, dias depois de começarem a distribuir os convites do casamento. “Foi uma surpresa, mas falei para ele ir. Tinha que ir. Seria uma experiência incrível para colher bons frutos e amadurecer pessoalmente e profissional-mente”, explica Patrícia. Na mesma semana, o con-vite foi estendido a ela. O casamento foi realizado em setembro, e, em novembro, o casal estava se mudando de São José dos Campos para Centurion, na África do Sul.

Novo cenário, nova fase de vidaAlex e Renata, Junior e Patrícia. Ambos os casais experimentaram começar a vida a dois de uma ma-neira peculiar. Não apenas com desafios comuns de recém-casados, mas aproveitando individualmen-te novas experiências pessoais e profissionais. Ao chegarem, a adaptação ao fuso horário e à rotina

local foi o maior desafio. “O horário de trabalho é diferente. Normalmente, eles entram às 6 horas da amanhã e saem às 3 da tarde”, explica Patrícia. Não era comum ver pessoas no escritório depois do ho-rário. “Percebíamos que isso era cultural, não desca-so com o trabalho.” Ela conta ainda que às 10 horas da manhã e às 3 horas da tarde há o tea time (hora do chá). “Esse momento é sagrado para eles.”

No processo de transferência de tecnologia da empresa sul-africana Denel Dynamics, cada in-tegrante tinha um mentor, responsável por passar informações sobre o projeto do A-Darter. No iní-cio, essa comunicação não foi fácil. Patrícia explica: “Passávamos por um processo burocrático de auto-rização de acesso a cada informação confidencial”. Para isso, conquistar a confiança por meio de um trabalho participativo, de troca de conhecimento, foi essencial. “Precisávamos mostrar a nossos men-tores que poderíamos colaborar”, conta Junior.

Com o tempo, a confiança foi sendo adquirida, e o trabalho passou a fluir melhor, inclusive em relação às barreiras do idioma. “Por mais que soubéssemos o in-glês, no dia a dia, palavras muito técnicas eram faladas por meio de mímica”, relembra Junior, rindo.

Vivendo a históriaA experiência na África do Sul aproximou-os de uma realidade histórica, porém ainda viva na cidade do interior em que moravam: o apartheid – regi-me político de segregação racial entre brancos e ne-gros. A grande maioria da população de Centurion é branca e, por muitos anos, teve benefícios edu-cacionais e profissionais, além de políticos. Com o fim do apartheid, essa realidade mudou, e passaram a surgir cotas para os negros.

Essa quebra de paradigma é evidente na teoria, re-fletida no dia a dia, mas ainda difícil na prática. “Onde vivíamos, brancos e negros ainda não se misturam”, conta Patrícia. “Quando mostrei uma foto dos meus pais – meu pai moreno e minha mãe loira de olhos claros –, todos se espantaram. Pareciam estar sem entender como aquilo era possível.”

Para Alex, a realidade é diferente em municípios maiores como Cidade do Cabo ou Pretória. “Eles ainda se separam, mas por questões de afinidade, como o gosto pelas mesmas músicas ou comidas típicas. Não existe mais ódio entre eles.”

Os relatos de Alex sobre os quase três anos de crescimento pessoal dele e de sua esposa, Renata, e da cumplicidade de recém-casados duplicada entre Junior e Patrícia são apenas exemplos de que a expe-riência valeu a pena. “São felicidades diferentes: ir, vi-venciar tudo isso e poder voltar”, afirma Junior. ]

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DO RECÔNCAVO BAIANO À TERRA DO SOL NASCENTE

Texto Mateus Codes | Foto Márcio Lima

E DO JAPÃO AO RECÔNCAVO! BRASILEIROS E JAPONESES PARTICIPAM DE ACORDO DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA

π Os soldadores Marcos Aurélio (à esquerda) e Heitor Borges, com as espadas de samurai que trouxeram do Japão

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51Odebrecht informa

Aprender o yoshi. Esse foi o grande desafio dos 23 brasileiros que, em 20 de abril, voltaram de Sakaide, no Japão, depois de três meses de treinamen-to no estaleiro da Kawasaki, uma das acionistas da Enseada Indústria Naval. A viagem fez parte do Acordo de Transferência de Tecnologia. O acordo entre a Enseada e a acionista japonesa garantirá o in-tercâmbio para a formação de 100 profissionais. Para esse grupo, mais importante que multiplicar os co-nhecimentos técnicos aprendidos por lá será trans-mitir aos colegas brasileiros a filosofia de trabalho do Oriente.

“O yoshi é a expressão que eles usam para confir-mar uma ação. Por exemplo, se um japonês vai atra-vessar uma rua, primeiro ele olha o semáforo, depois o outro lado da rua e, em seguida, confere o percur-so. Só depois disso ele atravessa. Após cada ação desse planejamento ele diz yoshi, como um sinal de positivo”, explica o soldador baiano Marcos Aurélio Nascimento.

Ele e mais três integrantes reuniram-se para contar à equipe de Odebrecht Informa quais foram os principais aprendizados obtidos durante a esta-da no Japão, um encontro de culturas distintas, que, por meio da Educação pelo Trabalho, gerou conheci-mento e amizade. “A melhor lição que recebi foi a da importância do planejamento. Eles dedicam bastan-te tempo a essa etapa do trabalho, e isso reduz erros

na execução da tarefa”, afirma o soldador Heitor Ferreira.

Já o encarregado de solda Samuel Souza impres-sionou-se com a simplicidade dos orientais. “Apesar de respeitarem bastante a hierarquia, lá no Estaleiro de Sakaide, todos usam as mesmas fardas e traba-lham diretamente nas máquinas, sejam chefes ou operadores menos graduados.”

O comportamento dos japoneses também im-pressionou. “Em uma ocasião, eu estava andando de bicicleta e perdi a carteira. Fiquei apavorado, porque tinha bastante dinheiro nela. Voltei pelo mesmo ca-minho, com cara de preocupado. Uma senhora a ha-via encontrado, me esperou voltar e então me cha-mou para devolvê-la”, conta o encanador industrial José Cristiano.

Durante os três meses de convivência, uma boa amizade foi estabelecida entre os colegas. “No dia da despedida foi uma grande choradeira. Não que-riam nos deixar entrar no carro. E pode acreditar: é uma dificuldade fazer um japonês chorar”, salienta Marcos.

Investimento na formaçãoSair do Recôncavo e ir para o outro lado do mundo não foi tão fácil. Os integrantes tiveram que deixar para trás esposas e filhos, para investir na formação profissional. “Quando meu supervisor comentou

π André entre os japoneses Ryusuke (à esquerda) e Takeo: conhecendo diferentes estilos de viver e trabalhar

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Apesar de integrar a Organização Odebrecht há apenas dois anos, o engenheiro baiano Marcelo Sampaio convive com os ensinamentos da Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO) desde criança. Filho de um integrante da Organização (Newton Príncipe, Diretor-geral da Biocom, em Angola), ele representa a terceira geração de uma família de engenheiros civis. Na Enseada Indústria Naval, no Rio de Janeiro, Mar-celo lidera uma área complexa, que mistura as atividades do programa de Compras e Suprimentos com a Gerência de Projetos.

A história internacional do engenheiro começou aos 25 anos, quando ele deixou Salvador, rumo aos Estados Unidos, com o projeto de cursar um MBA. Após dois meses em Houston, no Texas, adiou os estudos por causa de uma excelente oferta de trabalho em uma multinacional francesa do setor de óleo e gás. Após dois anos em Lafayette, na

A volta para casa

sobre a viagem, minha mulher estava grávida. Ele achou que eu não gostaria de ir, pela possibilidade de perder o nascimento de minha filha. Eu disse a ele que queria viajar, sim, porque o futuro de minha fi-lha depende de mim. Dei sorte. Quando viajei, ela já tinha seis meses. Agora, na minha volta, ela já estava com quatro dentes!”, conta José Cristiano.

Do Acordo de Transferência de Tecnologia tam-bém consta a vinda de japoneses para as unidades da Bahia e do Rio de Janeiro. O engenheiro naval Takeo Seto é um dos profissionais que vieram ao Brasil. Depois de seis meses no Rio de Janeiro, Seto agora está na unidade baiana. “Para nós, japoneses, é importante a preparação das atividades. Já os bra-sileiros enfrentam as dificuldades que se apresen-tam com menos estresse. Acho que os dois podem aprender um com o outro e sair ganhando com essa convivência.”

O engenheiro carioca André Frias pensa da mes-ma forma. Ele, Seto e o também japonês Ryusuke Tsujiuchi dividem a sala de trabalho. “O mais difí-cil com os meus colegas é a comunicação, mas com-pensa bastante poder trocar experiências com eles”, afirma.

Ricardo Lyra, Responsável por Pessoas e Organização na Enseada Indústria Naval, acredita que os treinamentos de transferência tecnológica são estratégicos. A ideia é de que a troca de conhe-cimento com os japoneses proporcione uma produ-tividade maior que a média nacional. “Temos uma

permanente insatisfação com os índices de qualida-de e produtividade alcançados. Essa parceria com os japoneses é uma forma de melhorar isso, já que os índices do Japão são mais altos que a média brasilei-ra. Acredito que se unirmos a grande capacidade de planejamento dos orientais à flexibilidade e veloci-dade na tomada de decisão que é uma característi-ca nossa, teremos excelentes resultados”, argumenta Ricardo. Além do Japão, a Enseada também mantém uma relação estreita com parceiros de outros paí-ses, como Romênia, Noruega, Reino Unido, China e Estados Unidos. ]

Louisiana, e nas plataformas do Golfo do México, Marcelo conseguiu juntar o dinheiro necessário para cursar seus estudos em tempo integral, na Thunderbird School of Global Management, no Arizona. Sua formação e a experiência adquirida levaram-no a uma grande empresa americana de equipamentos de produção de petróleo. Esse foi o pontapé inicial para uma maratona internacional que lhe proporcionou grandes ensinamentos. Em seus 22 anos de carreira, Marcelo esteve em mais de 25 países. Das 12 primeiras semanas de 2014, nove ele passou fora de casa.

E, com tantas viagens, as lições consolidam-se. “Aprendi que em cada país se trabalha de uma forma diferente. Na Índia, a preocupação em servir é tão grande que eles nunca lhe dizem não, mesmo quando sabem que não podem cumprir com uma tarefa. Cada povo tem sua cultura. Temos que nos adaptar e aprender.”

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53Odebrecht informa

“FOI COM COMPROMETIMENTO E ENTREGA QUE CONSTRUÍ MINHA CARREIRA”

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Texto Alice Galeffi | Foto Ricardo Artner

Sua mãe, no mundo das artes; seu pai, no dos negócios. Assim Marcela Drehmer foi criada, entre os balés do Teatro Castro Alves e o Polo Petroquímico de Camaçari, na Bahia. Hoje, ela é a Vice-Presidente de Finanças da Odebrecht S.A. “Esses dois opostos foram fundamentais para a minha trajetória profissional”, diz Marcela. Por um lado, a dança lhe deu discipli-na e coragem para enfrentar o público e lhe ensinou a sonhar; no outro extremo, ela tomou gosto por construções civis e pelo mundo dos negócios – mas seu maior aprendizado dessa época foi saber que tinha a liberdade para escolher o caminho que a faria feliz.

Planos de longo prazoMarcela ingressou na Organização em 1994, na Poliolefinas, co-mo Responsável por Contas a Pagar. Logo foi para a Tesouraria e, depois, para Operações Estruturadas. À medida que a empre-sa crescia, ela crescia junto. “Sempre fui muito comprometida; eles pediam e eu entregava”. Seus planos na Odebrecht eram de longo prazo e sempre que pensava em buscar um novo desafio

que complementasse sua formação, ele surgia. Na Braskem, foi Gerente de Operações Estruturais, Diretora de Finanças e Tesouraria e, até julho de 2013, ocupou a posição de Vice-Presidente de Finanças e Relações com Investidores. Esteve em Nova York participando de Programa Corporativo de Finanças, no Credit Suisse, em 2000, e, desde o segundo semestre de 2013, é Vice-Presidente da Odebrecht S.A. “Foi com comprome-timento e entrega que construí minha carreira.”

Família e parceriaPara Marcela, a parceria com a Organização vai muito além do trabalho. Quando quis engravidar, teve dificuldades e precisou ficar dois meses em casa, por causa do tratamento que fazia. Nesses dois meses, ninguém do escritório a procurou – e esta-vam todos torcendo juntos. “Engravidar, para mim, foi um traba-lho em equipe, me senti literalmente suportada”, diz, brincando. Marcela conta que ser mãe foi a experiência mais gratificante de sua vida e que a família está sempre em primeiro lugar. “De nada adiantam as conquistas se não temos com quem dividi-las.” ]

DESDE SEU INÍCIO NA ORGANIZAÇÃO, MARCELA TRAÇOU PLANOS DE LONGO PRAZO E, SEMPRE QUE ALMEJAVA UM NOVO DESAFIO, ELE SURGIA

M A R C E L A D R E H M E R

Marcela Drehmer é a 13ª entrevistada da série audiovisual Saberes – Gente que aprendeu no trabalho e na vida. Para assistir à entrevista completa, acesse www.odebrechtonline.com.br

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π Rodrigo, Anelisa, Kleverton e Lana tiveram suas trajetórias fortalecidas pela experiência internacional

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55Odebrecht informa

Texto Luiz Carlos Ramos | Foto Kraw Penas

ELES BOTARAM O PÉ NA ESTRADA E AGORA ESTÃO DE REGRESSO

DEPOIS DE VIVEREM EXPERIÊNCIAS MARCANTES NO EXTERIOR, QUATRO INTEGRANTES TÊM A OPORTUNIDADE DE APLICAR SEUS CONHECIMENTOS EM UMA OBRA EM SEU PAÍS NATAL

Rodrigo Passos, 35 anos, já trabalhou em três pa-íses, em quatro anos de Odebrecht: Moçambique, Guiné e Portugal, antes de atuar no Brasil. No início de 2013, repatriado, ele chegou ao municí-pio de Capanema, no sudoeste do Paraná, a 20 km da Argentina, onde a Odebrecht Infraestrutura – Brasil constrói a Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu. “Fui um dos primeiros a vir”, diz Rodrigo, Gerente Comercial e de Administração Contratual da obra. “É minha primeira barragem, eu queria ser barrageiro.” Em sua equipe, há dois de seus ex-liderados na África e na Europa: Lana Lemos e Kleverton Armelin. Vinda do Peru, Anelisa Cantieri reforça o grupo.

π Rodrigo, Anelisa, Kleverton e Lana tiveram suas trajetórias fortalecidas pela experiência internacional

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A situação de Rodrigo, Lana, Kleverton e Anelisa é semelhante à de mais de 60 ou-tros brasileiros repatriados pela Odebrecht Infraestrutura. Obras terminam, obras começam. Como são os novos desafios? Como ficam as re-lações com os amigos feitos lá fora? Odebrecht Informa buscou respostas para essas perguntas às margens do Rio Iguaçu, cujas águas compõem, 70 km adiante, um dos maiores símbolos do Brasil – as maravilhosas Cataratas do Iguaçu.

“Conquistei amigos”“Voltar ao Brasil é sempre bom”, define Rodrigo Passos, agora mais perto de sua filha, Lorenza, de 11 anos, que mora em Florianópolis. “Foi ótima a experiência africana. Recebi lições, ajudei a apri-morar talentos locais, conquistei amigos.”

Rodrigo ingressou na Odebrecht em março de 2010 e foi para Moçambique, no projeto das mi-nas de carvão de Moatize. Um ano depois, seguiu para a Guiné, do outro lado da África, para atuar nas obras de infraestrutura da grande reserva de ferro de Simandou. Após seis meses, o trabalho de sua equipe prosseguiu, mas em um escritório de Oeiras, em Portugal, elaborando relatório finan-ceiro sobre as atividades na Guiné. “Pouco vimos de Portugal, em 10 meses, mas a mediação foi um sucesso, e vim para o Brasil. Hoje, tenho contato com os moçambicanos Gabriel Nhanpossa e Ivo Josine, meus ex-liderados, que assumiram a área de Controle e Finanças após minha saída”, conta Rodrigo, que deixou amigos também na Guiné.

“A África está comigo”Lana Lemos, administradora de empresas de Itabira (MG), 39 anos, quatro de Odebrecht, é Técnica em Custos na Baixo Iguaçu. “Em 2010, fui para Moçambique. Minha primeira viagem internacional! Um mundo diferente, uma gen-te cordial e esforçada”, relata Lana. A segunda missão foi na Guiné: “O idioma, lá, é o francês. Entretanto, eu me entendia com eles em inglês. Fiquei preocupada com a epidemia de ebola na Guiné, mas meus amigos não foram afetados”. Em sua casa, em Realeza (PR), ela mostra peças de artesanato de madeira: “Este aqui é um Pensador, inspirado em Rodin, que um artesão de Guiné es-culpiu para mim. A África está comigo”.

O continente também está na memória e no coração de Kleverton Armelin, de São Manuel

(SP), 29 anos, Tecnólogo em Sistemas de Informação. Há oito anos na Odebrecht, ele é hoje Responsável por Apropriação na obra. “Trabalhei na Linha Amarela do Metrô de São Paulo e se-gui para a Líbia em 2009, no Terceiro Anel de Trípoli.” Depois, atuou em obras de minera-ção na Guiné. “Aprendi a ser nômade com meu pai, Norberto Armelin, também da Odebrecht. Ampliei conhecimentos, dei dicas e ganhei ami-gos”, relembra. “A Líbia e a Guiné têm contrastes, mas um dos pontos em comum é o interesse pe-lo futebol brasileiro”, destaca. Ele mostra o celu-lar. “Com essa tecnologia, tenho contato com os amigos de longe. Falamos de futebol e trabalho.”

A presença dos amigos dos AndesAnelisa Cantieri, natural de Presidente Prudente (SP), 36 anos, engenheira de produção, com 10 anos de Odebrecht, está em sua sexta usina. Ela é Responsável por Meio Ambiente em Baixo Iguaçu, após atuar em Capim Branco I e II, em Minas Gerais, Santo Antônio, em Rondônia, Teles Pires, em Mato Grosso, e Chaglla, no Peru. Seu pai, Orlando Cantieri, também barrageiro, trabalhou por mais de 25 anos na Odebrecht.

Fotos dos companheiros peruanos junto aos Andes estão em seu computador e no celular. Ela aprendeu espanhol, adora a culinária peru-ana, dança salsa e orgulha-se das lições dadas a profissionais locais. “Eles se identificam com a Tecnologia Empresarial Odebrecht [TEO] e hoje seguem, no Peru, o conceito empresarial de sus-tentabilidade desenvolvido em outras obras bra-sileiras”, diz Anelisa. “Ajudei a formar sete Jovens Parceiros para o programa de Meio Ambiente: Rodrigo Reategui, Daniel Jara, Gabriela Ponce, Juan Blas, David Durán, Patrícia Robles e Haniel Torres. Dois deles já vieram passear no Brasil.”

O Diretor de Contrato da Hidrelétrica Baixo Iguaçu, Luís Fernando Rahuan, conta que a obra repatriou também os encarregados gerais Antonio Moaci Rodrigues e Raimundo Rodrigues, expe-rientes em América Latina. A usina, em cons-trução para a Neoenergia e a Copel, terá três tur-binas do tipo Kaplan, com capacidade para gerar 350 MW e deverá ser concluída em 2016. Rahuan destaca o papel dos repatriados, sobretudo na transmissão de conhecimentos aos mais jovens: “Eles agregam valor, pela vivência em outros ti-pos de obras, em culturas distintas”. ]

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57Odebrecht informa

Texto João Paulo Carvalho

ESPÍRITO NATIVONASCIDOS EM OUTROS PAÍSES, ELES TRAZEM SUA EXPERIÊNCIA DE VIDA E TRABALHO PARA A ODEBRECHT REALIZAÇÕES IMOBILIÁRIAS NO BRASIL

O Brasil é um país de dimensões continentais, for-mado por regiões com culturas diversas, sotaques próprios, climas e relevos destoantes. É a falta de he-gemonia que faz dessa nação tão eclética um lugar peculiar para se viver, a ponto de atrair pessoas de todos os cantos do mundo, que contribuem para en-riquecer ainda mais uma diversidade cultural que é poderosamente simbólica em âmbito mundial. Não é preciso esforço para esbarrar com alguém que saiu de terras distantes e veio para o Brasil. A Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR) é um dos ambientes em que podemos encontrar “gringos” que elegeram o país como sua nova casa.

É o caso de Esteban de la Cruz, nascido em Maiorca, na Espanha, filho de mãe inglesa e pai es-panhol e que estudou nas Ilhas Canárias e Baleares até entrar na faculdade de Engenharia Civil, em Barcelona. Depois de formado e de viver uma rápida

experiência profissional em sua cidade natal, foi con-vidado a participar da construção de complexos ho-teleiros em Cancun e Playa del Carmen, no México, de onde saiu para novos desafios profissionais em Varadero, em Cuba. Lá, adquiriu a bagagem neces-sária para alçar voos maiores. Após retornar para a Espanha, recebeu um convite da Iberostar para diri-gir a implantação de um resort imobiliário na Praia do Forte, na Bahia. Algum tempo depois, foi convi-dado a fazer parte da OR e atuar no desenvolvimen-to do Destino Sauípe, do qual faz parte o complexo hoteleiro de Costa do Sauípe, projeto em que traba-lha desde janeiro de 2013. “Não tive tanta dificuldade para me adaptar à nova cultura, mas a língua foi um obstáculo no começo”, destaca Cruz. “Principalmente por ter vindo trabalhar na Odebrecht, uma empre-sa que é referência em tudo o que faz e por possuir uma filosofia consolidada, na qual as diferenças são

π A partir da frente, Eleonore, Pedro, Patrícia e Julio: capacidade de adaptação

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respeitadas, a minha adaptação ocorreu de forma muito tranquila”, avalia.

Da Catalunha, no leste da Espanha, partiu Patrícia Caba. Antes de chegar à Universidade de La Salle, em Barcelona, onde se formou em Engenharia de Edificações, ela fez intercâmbio nos Estados Unidos. Após o retorno à Espanha, já diplomada, emigrou em 2004 para Xangai, na China, onde trabalhou para uma empresa francesa. Foi lá que conheceu o mari-do, um economista brasileiro com quem se casou em Barcelona.

O Brasil estava mesmo em seu caminho. A em-presa francesa para a qual trabalhava na China pres-tava serviços de consultoria para as arenas em cons-trução no Brasil pela Odebrecht Infraestrutura. Era o detalhe que faltava para que trocasse o Oceano Índico pelo Atlântico e viesse parar na OR, em 2010. Hoje Patrícia atua na construção do empreendimen-to multiúso Praça São Paulo, que está sendo erguido na capital paulista.

“Como a minha referência profissional anterior ao Brasil foi a China, estranhei bastante a forma de trabalhar nos dois países. Na China, só se pensa em trabalho, e eles investem pouco em lazer e no rela-cionamento interpessoal. Aqui no Brasil é completa-mente diferente. O povo é mais aberto, comunicati-vo, com jogo de cintura. Acho que o brasileiro se au-tocritica em demasia. Na verdade, os brasileiros têm

muitas qualidades que não são exaltadas e deveriam se valorizar mais”, argumenta.

Fazendo amigosTambém da península ibérica, especificamente de Portugal, vieram outros dois integrantes da OR: Pedro Sanches e Julio Casanova, coincidentemente líder e liderado nas obras de construção do Parque da Cidade, outro empreendimento da OR em São Paulo. Pedro formou-se engenheiro civil pela Universidade Técnica de Lisboa, em 2010. Antes mesmo de fina-lizar a graduação, atuava em seu país natal desenvol-vendo projetos que seriam implantados em Angola. Após visitar o Brasil durante um período de férias, recebeu uma proposta e ingressou na OR em julho de 2012.

“Aqui os processos de trabalho são muito diferen-tes dos de Portugal, mas não encontrei grandes difi-culdades na adaptação. As equipes são maiores, as pessoas sabem trabalhar em conjunto e o mais im-portante: sabem fazer amigos”, ressalta. Julio, por sua vez, não precisou passar por nenhuma adaptação. Apesar de ter nascido no Porto, cidade famosa pe-los vinhos, veio para o Brasil aos sete meses de ida-de. “Meu pai não aceitava o regime de Salazar”, pon-tua. “Tivemos a opção de ir para o Canadá ou para a Venezuela, mas escolhemos o Brasil. Foi aqui que meu pai me ensinou minha profissão”, conta Julio,

π Esteban analisa o quanto a filosofia da Odebrecht tornou sua integração “tranquila”

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59Odebrecht informa

que está na OR desde 2007 e já passou por obras co-mo o Edifício Odebrecht São Paulo.

Capacidade de adaptaçãoO venezuelano Camilo Maldonado nunca se sentiu verdadeiramente estrangeiro. Mora no Brasil des-de o primeiro ano de vida. Morou em Brasília e no Tocantins, onde se formou. Após ingressar no pro-grama Jovem Parceiro, em 2008, rumou para Angola, onde participou da construção das Vias de Luanda e das Mansões do Vale. De volta ao Brasil, após expe-riências fora da Organização, retornou para atuar na Reserva do Paiva, em Recife, onde está desde maio de 2012, e agora finaliza a obra do Terraço Laguna.

A fronteira entre França e Suíça, mais precisa-mente nos Alpes d’Annecy, era o lugar onde vivia Eleonore Vigier. Nascida em Genebra, morou em Marselha, Lion, Paris e Montpellier, até resolver fa-zer intercâmbio na Austrália e conhecer o marido brasileiro. “Todo esse caminho percorrido foi me dando a experiência necessária para me adaptar a qualquer cultura. Fiquei surpresa com o tamanho de São Paulo, maior que qualquer cidade onde tinha vi-vido, mas nem isso foi um empecilho”, relata, com bom humor.

Eleonore disputa palmo a palmo com José Ignácio Suárez-Solís o título de quem percorreu mais milhas nas andanças pelo mundo. Nascido em Valparaíso, histórica cidade da costa chilena, filho de pais cubanos, casado com uma brasilei-ra e pai de filhos mexicanos, Solís veio morar no Brasil com apenas dois anos. Aos 18, foi para os Estados Unidos e, lá, se formou em Arquitetura pela Universidade de Oregon, em 1993. Graduado, retornou em 1994 para a América do Sul e se di-vidiu entre Argentina e Chile, onde permaneceu até 1998. Já no Rio de Janeiro, atuou na reforma do Hotel Nacional e, depois, foi para a Bahia, abrir um restaurante em sociedade com os irmãos, até embarcar para Porto Rico, onde ajudou na cons-trução do hotel Hilton Caribe. De lá, São Paulo foi seu destino, para participar da execução do Hilton Morumbi. Ficou na cidade por dois anos, passou um ano em Helsinki, seguiu para o México e, na sequência, para a Venezuela, até retornar ao Brasil em 2010. A partir do contato de um amigo da OR e com tanta bagagem em empreendimentos hote-leiros, Solís passou a participar da construção do Sheraton Reserva do Paiva, na capital pernambu-cana. Até que o próximo desafio se apresente. ]

π Camilo (à esquerda) e José Ignácio estão ambientados a Pernambuco e ao Brasil

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Texto Thereza Martins | Foto Thomas Kienzle/AFP

O IMPULSO NECESSÁRIOSAIBA COMO VIVEM ALGUNS DOS PROTAGONISTAS DO PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO DA BRASKEM

Filadélfia, Estados Unidos, 2011. Mark Nikolich, en-tão Responsável Comercial da Braskem América há um ano e alguns meses, é convidado, em meio à rotina de um dia de trabalho, para almoçar com Luiz de Mendonça, Líder Empresarial da Odebrecht Agroindustrial e, à época, Responsável pela Braskem no país. Enquanto tomavam uma sopa de tomate, Mark recebeu um convite que mudaria sua vida: as-sumir os negócios da Braskem na Europa.

“Aceitei imediatamente”, relata. “À noite, conver-sei com minha esposa, Jennifer, e obtive seu apoio.” Uma semana depois, Mark viajava à Alemanha para conhecer as duas unidades industriais recém-adqui-ridas pela Braskem no país. Em pouco mais de três meses, a família Nikolich estava reunida novamente, para viver em Frankfurt.

Uma vez instalados, veio a etapa de adaptação. Quando criança, Mark viveu na Alemanha com os

π Mark, sua esposa, Jennifer, e os filhos: boa receptividade na escola tornou mais fácil a integração da família à Alemanha

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61Odebrecht informa

pais, por quatro anos, o que tornou familiares a lín-gua e a cultura nessa segunda experiência europeia. O processo foi um pouco mais lento para sua esposa e o casal de filhos, Kamren e Brienna, ambos no iní-cio da adolescência. “Minha mulher é enfermeira e, para me acompanhar, deixou para trás uma profissão pela qual é apaixonada”, conta Mark. Além disso, por ser fluente em espanhol, ela teria preferido um país de raízes latinas, caso pudesse optar. No início, seus filhos sentiram-se intimidados pela mudança, mas a receptividade encontrada na escola facilitou a inte-gração. A experiência de viver em outra cultura tem sido enriquecedora para todos.

No campo profissional, os desafios não foram poucos. A Braskem havia adquirido, nesse mes-mo ano de 2011, os ativos de polipropileno da Dow Chemical, com duas unidades nos Estados Unidos e duas na Alemanha, mas o negócio na Europa incluía apenas os ativos industriais. Todo o restante deve-ria ser reconstruído, a começar pela contratação das equipes administrativas e de apoio.

“O que poderia parecer uma dificuldade foi, na prática, um desafio que só nos trouxe benefícios”, re-lata Mark. “Em primeiro lugar, por estreitar os laços com a equipe comercial do escritório da Braskem em Roterdã, na Holanda. E, também, porque tivemos a oportunidade única de selecionar profissionais que se identificavam com os princípios da Tecnologia

Empresarial Odebrecht [TEO]”. Como ex-integrante da Sunoco, a primei-

ra empresa adquirida pela Braskem nos Estados Unidos, em 2010, Mark estruturou suas equipes na Alemanha, com o olhar e a sensibilidade de quem já passara por uma transição cultural. Uma das respon-sabilidades de Mark na Alemanha era disseminar a TEO entre os recém-contratados e, também, entre potenciais candidatos, como Alexander van Veen.

Alexander atuava na liderança da Dow Chemical no país. Tinha 20 anos de atuação na empresa. Decidiu ingressar na Braskem motivado pelas pa-lestras e conversas das quais participara. “A cultura empresarial e a oportunidade de influenciar e agir em um ambiente de negócios para o qual teríamos que construir uma nova estrutura, além de processos e procedimentos, determinaram a minha escolha”, afirma Alexander.

Como Líder Comercial, de Serviço e Desenvolvimento Técnico na Braskem Europa, Alexander destaca a importância da integração com a empresa no Brasil, sobretudo pela posição de lideran-ça ocupada no setor petroquímico global e pela visão de futuro, de crescimento e internacionalização.

Nas unidades da Braskem na Alemanha, com pouco mais de 160 integrantes, a diversidade cultural é um traço marcante. “Somos originários de 16 paí-ses, de quase todos os continentes”, diz Alexander,

π Alexander: atraído pela cultura empresarial da Odebrecht

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que nasceu na Holanda. “Muitas línguas são faladas na Europa, e tentamos nos comunicar com nossos clientes em seu próprio idioma, para reduzir as bar-reiras linguísticas no relacionamento”, afirma.

Oportunidades e aprendizadosEm um mundo distante do europeu, a perspectiva de crescer com uma empresa global, que está forta-lecendo o seu processo de internacionalização, mo-tivou Diego Ballesteros Marini a participar do pro-cesso de seleção para o programa Jovem Parceiro na Braskem Idesa, joint venture na qual a Braskem de-tém 75% de participação para a construção e opera-ção do Complexo Petroquímico de Coatzacoalcos, no estado mexicano de Veracruz.

Contratado em janeiro de 2013, Diego atua como Jovem Parceiro na equipe de Pessoas e Organização, na sede da empresa, na Cidade do México. “O porte da Braskem Idesa, o volume de investimentos desti-nados ao projeto e os grandes desafios de construir

uma nova empresa determinaram a minha escolha. Espero fazer um bom trabalho, aprender mais todos os dias e consolidar uma carreira na empresa”, afirma.

Aprender todos os dias também é estimulan-te para profissionais mais experientes, como Roger Marchioni, Responsável pelas Exportações de Poliolefinas, que atuou na gestão de Negócios em Polímeros, no escritório comercial da empresa na Argentina.

“Brasileiros e argentinos têm pontos em comum e se dão muito bem. Em qualquer vivência interna-cional, o respeito à cultura do país é fundamental. Como gestor, notei características entre os argen-tinos bastante positivas, que facilitaram o diálogo profissional”, afirma.

Roger explica que a equipe argentina valoriza a transparência no relacionamento entre líder e lidera-dos, sobretudo em reuniões de feedback. “Eles sabem ouvir, argumentar e nunca consideram eventuais críticas como algo pessoal.” Atualmente, o escritório

A B RASKEM NO MUNDOUm mapa e alguns númerosda presença internacionalda empresa

38INTEGRANTES TRABALHANDO EM ESCRITÓRIOS COMERCIAIS EM OUTROS PAÍSES

EM CONSTRUÇÃO Complexo petroquímico integrado

para produção de eteno e polietilenos(com entrada em operação prevista para 2015)

UNIDADESOPERACIONAISBrasilEstados UnidosAlemanha

6.742Brasil

624EUA

524México

168Alemanha

TOTAL

8.096INTEGRANTES

(EM 31/12/2013)

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63Odebrecht informa

em Buenos Aires é responsável pelas exportações da Braskem para a própria Argentina, destino de, apro-ximadamente, 25% das vendas externas de polieti-leno e polipropileno.

O papel da comunicaçãoO processo de internacionalização da Braskem é apoiado por todos os programas da empresa, entre eles, o de Comunicação Interna, que cria condições para a disseminação da cultura e abre canais que fa-cilitam o diálogo entre os líderes e seus liderados e a integração das equipes. Nos Estados Unidos, por exemplo, a atuação de Comunicação foi decisiva pa-ra a recepção dos integrantes que trabalhavam na Sunoco e na Dow Chemical, empresas adquiridas pela Braskem no país.

“Nossa primeira iniciativa ao chegar aos Estados Unidos foi definir as três principais mensagens que queríamos passar aos novos integrantes no proces-so de integração: polipropileno é parte do nosso co-re business, a estratégia de internacionalização das operações da Braskem estava apenas começando

e possuímos uma cultura empresarial que acredi-ta nas pessoas e em sua capacidade de se desenvol-ver. Nesse contexto, a experiência de cada um que ali estava era fundamental para constuirmos a Braskem América”, relata Yuri Tomina Carvalho, da equipe de Marketing Institucional, que, por quase três anos, atuou nos Estados Unidos, na estruturação da área de Comunicação. Durante esse período foram implanta-dos os veículos de Comunicação Interna da Braskem, como a intranet local, e outros veículos de notícias e de integração específicos para os Estados Unidos.

“Para fortalecer a relação com as equipes do México, Estados Unidos e Alemanha e garantir a consistência da comunicação interna, mantemos, de forma disciplinada, um cronograma de alinha-mento, que inclui videoconferências mensais, uma reunião presencial ao ano, conversas diárias sobre campanhas, comunicados e notícias corporativas e reuniões de planejamento para grandes ações e pes-quisa global de comunicação interna”, ressalta Ligia Vannucci, Responsável por Comunicação Interna Corporativa. ]

π Ligia e Yuri: estratégia de comunicação forte e abrangente

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O que Google, Netflix,Twitter e Braskemtêm em comum?Todos estão na lista das 50 empresas mais inovadoras do mundo pela Fast Company.

A Braskem é a única brasileira entre as 50 empresas mais inovadoras segundo a Fast Company, revista de inovação número 1 do mundo.

Essa conquista reforça o compromisso da Braskem de investir

em pesquisa e inovação para desenvolver a indústria brasileira

e a cadeia produtiva do plástico. E chegar a soluções que revolucionem,

como o plástico verde, produzido a partir de uma fonte 100%

renovável, a cana-de-açúcar, cujo processo de produção ainda elimina

CO2 do meio ambiente. Essa é uma conquista da Braskem e de toda

indústria brasileira que também acredita no poder da inovação.

braskem.com/inovacao

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65Odebrecht informa

O que Google, Netflix,Twitter e Braskemtêm em comum?Todos estão na lista das 50 empresas mais inovadoras do mundo pela Fast Company.

A Braskem é a única brasileira entre as 50 empresas mais inovadoras segundo a Fast Company, revista de inovação número 1 do mundo.

Essa conquista reforça o compromisso da Braskem de investir

em pesquisa e inovação para desenvolver a indústria brasileira

e a cadeia produtiva do plástico. E chegar a soluções que revolucionem,

como o plástico verde, produzido a partir de uma fonte 100%

renovável, a cana-de-açúcar, cujo processo de produção ainda elimina

CO2 do meio ambiente. Essa é uma conquista da Braskem e de toda

indústria brasileira que também acredita no poder da inovação.

braskem.com/inovacao

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G E N T E

VIAGEM

FAMÍLIA

Augusta Fernandes ingressou na Odebrecht em 2003, no projeto Concessões das Autoestradas do Norte de Portugal, perto de Braga, onde nasceu. Em 2006, quando seus pais retornavam ao país após 30 anos de trabalho na Alemanha e havia expectativa de convívio familiar mais próximo, Augusta foi transferida para Lisboa. Desde 2010, ela é Coordenadora do Sistema de Gestão Integrada de Qualidade, Ambiente e Segurança nas obras do Aproveitamento Hidrelétrico do Baixo Sabor. Solteira, sem filhos, para comunicar-se com os pais ela usa a internet e sente-se bem assim. “Quando aceitamos os desafios e a oportunidade de trabalhar em uma empresa com a dimensão da Odebrecht e quando fazemos o que gostamos, as distâncias tornam-se relativas.”

Distâncias relativas

π Augusta: internet para comunicar-se com os pais

π Vitor: paixão por descobrir lugares e seus encantos

Um cidadão do mundoMineiro de Belo Horizonte, Vitor Santos viveu no Rio de Janeiro, em Vila Velha (ES) e Belém, onde formou-se engenheiro civil. Ingressou na Odebrecht em 1996, nas obras de ampliação do Aeroporto de Miami, nos Estados Unidos. Depois, trabalhou no Brasil, nos Emirados Árabes Unidos, na Líbia, em Moçambique e na Guiné–Conacri e participou de propostas em Djibuti e na Arábia Saudita. Hoje em Angola, é Gerente de Administração Contratual na construção da Refinaria da Sonangol, a petrolífera estatal angolana. “O contraste entre o deserto e as moderníssimas construções no Emirados Árabes, as ruínas romanas de Sabrath e Leptis Magna, na Líbia, a Ilha de Roome, na Guiné-Conacri, a vila de Borema, em Tete, Moçambique, as praias da Restinga de Lobito, em Angola – tudo isso me encantou e ainda me encanta”, diz Vitor.

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raTexto Eliana Simonetti

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67Odebrecht informa

Engenheira química, a gaúcha Carla Pires tem especial interesse por descobrir e entender novas culturas. Depois de trabalhar 24 anos na Companhia Petroquímica do Sul (Copesul) e na Braskem, ela é, há quatro anos, Responsável por Sustentabilidade na Odebrecht Agroindustrial. Em seu dia a dia, ela percorre as nove unidades da empresa, conhecendo as pequenas cidades de seu entorno. Conta o caso de Perolândia, em Goiás, que tem 2.900 habitantes. Por meio do Programa Energia Social, da Odebrecht, apoiou as mulheres da cidade, desejosas de montar uma cooperativa de corte, costura e artesanato. Depois do curso no Senai e do plano de negócio com suporte do Sebrae, elas ganharam um barracão da Prefeitura, que foi reformado e equipado com máquinas industriais pela Odebrecht. A inauguração ocorreu em fevereiro. As 70 associadas já atendem a empresas da região e se preparam para confeccionar os uniformes da Odebrecht. Mas não procure ninguém por ali na hora da sesta. Perolândia fecha as portas depois do almoço. Um traço cultural mantido na cooperativa.

ESPORTE CULTURA

Homem de ferro

Descobertas instigantes

π Carla: presença nas comunidades

π Daniel: corpo e mente em sinergia

Há oito anos na Organização, Daniel Oliveira é, há cinco anos, Gerente de Produção no Projeto de Preservação do Patrimônio Histórico da Cidade do Panamá, onde vive com a esposa, Tatiana. Desde criança, pratica esportes, com destaque para a natação. Recentemente, porém, resolveu se superar. Começou a se preparar para participar, de uma consagrada prova de triatlo, o Ironman, que compreende 1.9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21 km de corrida. Os treinos foram duríssimos, e a dieta, monitorada de perto por Tatiana, que é nutricionista, não foi mais fácil. Daniel conseguiu completar a competição, realizada no começo do ano, na Cidade do Panamá, com a participação de atletas nacionais e internacionais. “Essa é uma prova que demanda planejamento e controle, em que corpo e mente precisam trabalhar em sinergia”, revela.

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Texto José Enrique Barreiro

A CONSOLIDAÇÃO DE UM GRANDE APRENDIZADOCRESCIMENTO DA ODEBRECHT LEVA À ATUALIZAÇÃO DE SUA POLÍTICA DE COMUNICAÇÃO

D i v e r s i d a d e C u l t u r a l

A Organização Odebrecht tem uma nova Política de Comunicação. Publicada em 27 de novembro de 2013 e assinada por Marcelo Odebrecht, Diretor Presidente da Odebrecht S.A., a nova Política subs-titui a anterior, de 2003, e atualiza o assunto para toda a Organização.

A necessidade de atualizar a Política decorreu de vários fatores. Entre eles estão o aumento da di-versidade, do porte e do impacto dos negócios da Organização, a evolução tecnológica, que levou as informações a transitarem em tempo real, em es-cala global, a crescente interação com milhares de clientes pessoas físicas e com milhões de Usuários-Clientes das concessionárias de serviços públicos. Além disso, há a aspiração definida na Visão 2020 de ter a marca Odebrecht entre as 50 mais admi-radas do mundo e a busca permanente por unida-de conceitual e uniformidade de práticas em toda a Organização, para alcançar coerência e sinergia em todas as iniciativas e âmbitos.

O documento, com 36 páginas, define respon-sabilidades específicas no âmbito da Pequena Empresa, da Grande Empresa e da Odebrecht S.A., institui o Comitê de Comunicação e Imagem, trata da Estratégia da Marca Odebrecht e da Arquitetura de Marca, orienta sobre Investimento Social e detalha os meios e programas de Comunicação. Traz ainda cinco anexos: Regras de Boa Conduta nas Mídias Sociais; Recomendações para o Líder Empresarial Responsável pela Administração de uma Crise de Imagem; Perfil da Fundação Odebrecht; Glossário; e Guia de Convivência Online na Rede Integra.

“Tudo o que a Odebrecht aprendeu sobre Comunicação e Imagem ao longo de 70 anos consta desta Política”, resume Márcio Polidoro, um de seus formuladores e líder do Comitê de Comunicação e Imagem da Organização. Além de Márcio, ou-tros três membros do Comitê foram ouvidos por Odebrecht Informa sobre a nova Política. Cada um apontou aspectos distintos, mas todos destacaram

o que é o cerne das orientações: a responsabilidade pela imagem da Odebrecht é o resultado das ações de cada integrante em seus desafios cotidianos de servir clientes e contribuir com as comunidades em que estão presentes.

MÁRCIO POLIDOROResponsável por Comunicação na Odebrecht Infraestrutura – América Latina

π Você esteve durante mais de 20 anos na holding e foi um dos principais formuladores desta nova Política e das que a antecederam. Que diferença esta Política traz em relação às anteriores?Esta é quarta Política de Comunicação da Odebrecht. A primeira, foi feita no final da década de 1980, durante a transição do regime militar para a demo-cracia, ou seja, de um ambiente fechado para outro com liberdade de imprensa, evolução da organi-zação social e novas exigências e expectativas. Essa primeira Política ainda trazia certa influência do período anterior. Não tratava, por exemplo, das rela-ções com a mídia externa, era voltada apenas para o apoio aos negócios.

A segunda Política, de 1994, era bem mais coerente com o novo momento histórico, com a democracia, a necessidade de transparência das empresas e sua responsabilidade social e ambiental. A Odebrecht também percebeu a importância da mídia, que é o canal principal por onde a socie-dade se manifesta. Aquela segunda Política fez uma contundente revisão desse assunto e orientou para a necessidade de aprendermos a nos relacionar com a grande imprensa. Até então nossa comunicação era apenas via meios próprios.

A terceira Política, de 2003, foi uma signifi-cativa evolução, resultante de aprendizados da Comunicação e do Empresariamento. A Odebrecht havia crescido no exterior, já era protagonista no

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69Odebrecht informa

π Integrantes da Braskem em uma das unidades industriais da empresa: busca por uniformidade de práticas em toda

a Organização foi um dos fatores que levaram à atualização da Política de Comunicação

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setor industrial e operava em novos e complexos ambientes de negócios. A imagem passava a ser elemento definidor. O objetivo era apoiar a cons-trução de relacionamentos saudáveis e produtivos, com imagem sólida, construída sob a confiança da sociedade.

A Política atual traz uma nova dimensão. O rela-cionamento continua sendo decisivo para construir imagem, voltando-se para quatro grupos principais: integrantes, clientes (incluindo também os usuários clientes), Comunidades impactadas e formadores de opinião (grande imprensa, ONGs e outros). A dife-rença é que, agora, o que se promove é o diálogo de mão dupla, baseado na interdependência obrigatória que mantemos com esses quatro grupos sociais. A atual Política expressa, de forma clara, o aprendizado de 70 anos da Organização. Tudo o que aprendemos sobre Comunicação e Imagem está nessa Política.

“A NOVA POLÍTICA DE COMUNICAÇÃO PROMOVE O DIÁLOGO DE MÃO DUPLA, BASEADO NA INTERDEPENDÊNCIA OBRIGATÓRIA QUE MANTEMOS COM DIVERSOS GRUPOS SOCIAIS.”

π Que pontos você destaca nela?Destaco dois. Primeiro: ela reafirma a importância do integrante na formação da imagem, pois a marca não é apenas a expressão simbólica, a marca é o resul-tado do exercício das nossas Concepções Filosóficas, construído na prática, no dia a dia, e que se reflete na mídia e em todos os formadores de opinião. Por isso, o papel decisivo do integrante é reafirmado na Polí-tica. Estamos falando de cada um de nossos 180 mil companheiros, e não só dos líderes e dos profissio-nais de Comunicação.

Destaco também o fato de termos, pela primeira vez, uma estratégia e uma arquitetura de marca para toda a Organização. Hoje, temos uma visão de grupo, articulada com a nossa Visão 2020. Para sermos uma das 50 organizações mais admiradas do mundo, como pretendemos, teremos que ser reco-nhecidos como marca única.

π No âmbito de seu negócio, a Política sofre alguma forma de adaptação para ser implemen-tada nos países da América Latina?A Política tem amplitude, conceitos e diretrizes conectadas, já considerando sua aplicação em ambientes diversos e culturalmente diferentes. É fruto do longo aprendizado da Organização. Serve a qualquer espaço. Para quem atua, como eu, na área

internacional, em 10 países, buscando identidade única, os conceitos e diretrizes da Política apontam todos os caminhos. Com isso, o desafio é cons-truir identidade sólida na América Latina, reforçar a marca Odebrecht de empresa global e contribuir para posicionar a Organização entre as mais admiradas do mundo.

ALEXANDRE ASSAFResponsável por Pessoas & Organização e Comunicação na Odebrecht Infraestrutura – África, Emirados Árabes e Portugal

π De que forma a Política de Comunicação apoia a atuação de sua empresa nos diferentes ambientes em que está presente?Nosso mercado é África, Emirados Árabes e Portugal, ambientes de cultura africana, árabe e europeia. Nossa atuação nesses mercados encontra-se em estágios bem diferentes, e, portanto, temos o desafio de buscar as melhores estratégias de comunicação, para que sejamos percebidos pela sociedade da maneira que queremos. Em Portugal e Angola, onde estamos presentes há 25 e 30 anos, respectivamente, temos uma atuação consolidada (em Angola, com a presença de outras empresas da Organização, além dos investimentos da Odebrecht Africa Fund) e o reconhecimento da sociedade por nossa capaci-dade de performar e de contribuir com a agenda de desenvolvimento desses países, além de inves-tirmos na formação de equipes locais. Nos Emirados, executamos uma obra muito complexa, ao mesmo tempo em que aprendemos a trabalhar com a cul-tura do país. Em Moçambique, temos uma atuação importante e em fase de consolidação. E, em Gana, estabelecemos um Diretor Superintendente no ano passado, por acreditarmos muito no potencial desse país. Então veja que nosso cenário está longe de ser uniforme. Nesse sentido, a Política nos ajuda muito no desafio de implementar ações de Comunicação coerentes em diferentes negócios, culturas e países.

“A POLÍTICA DEIXA CLARO O PAPEL DE CADA UM E REFORÇA QUE A CONSTRUÇÃO DA MARCA NASCE NA PEQUENA EMPRESA, NOS CENTROS DE RESULTADO.”

π De que modo, concretamente, ela ajuda?Com o grande crescimento recente da Organi-zação, incorporamos pessoas maduras, que estão

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71Odebrecht informa

se integrando à nossa cultura e que podem ter uma impressão equivocada de que a Marca é assunto do pessoal de Comunicação. Não é. A Política deixa claro o papel de cada um. Ela reforça que a cons-trução da marca nasce na pequena empresa, nos centros de resultado. E deixa claro também qual o papel da grande empresa, dos líderes e do pes-soal de Comunicação. Os integrantes das pequenas empresas não podem esperar que as pessoas de comunicação distribuam a “fórmula mágica para a formação da imagem”.

A Política chama a atenção para o fato de que as decisões tomadas aqui ou ali podem impactar o todo. Antes, éramos somente Engenharia e Cons-trução, mas hoje somos uma Organização de vários negócios. Em Angola, decisões tomadas em um negócio podem afetar os demais. No Nossosuper, por exemplo, cadeia de supermercados que adminis-tramos no país, temos 10 milhões de clientes/ano. É importante que atuemos na Comunicação junto aos formadores de opinião de forma integrada e alinhada com a Engenharia e Construção. Então, precisamos estar atentos para não termos nenhum reflexo na nossa Imagem por falta de Comunicação e sinergia. Não podemos pensar de forma isolada. A delegação é conceito claro da Tecnologia Empresarial Odebrecht. Mas as pessoas não têm delegação para tomar deci-sões que possam impactar a marca.

π Em que aspectos você julga ter havido uma evo-lução nessa Política em relação à anterior?São muitos. Vou citar alguns. Relacionamento com a imprensa, por exemplo. Às vezes percebemos certo receio das pessoas de tratar esse assunto. A nova Política deixa claro a importância de estabelecermos relações de confiança e de longo prazo com os jor-nalistas. Para isso – e também de forma geral – a Política nos oferece o caminho a seguir nos vários tópicos tratados, apoiando de forma direta e concreta o empresariamento dos assuntos relacionados à Imagem. Destaco também a mensagem de proativi-dade que essa Política traz. Vamos construir relações com as pessoas, não somente em uma eventual crise de Imagem, mas de forma antecipada e planejada. Vamos apresentar nossa Organização a eles.

A estratégia de marca, que norteia um dis-curso institucional único, é outro avanço relevante. Estamos provocando nossos Diretores Superinten-dentes nessa direção, adequando as orientações da Política às necessidades de Comunicação em cada país de nossa atuação. Em Angola, por exemplo, não podemos deixar de destacar a atuação relevante que temos como investidores e o fato de sermos o maior empregador privado do país. Partimos das orienta-ções da holding para elaborar, no âmbito do Líder Empresarial e em cada país de atuação, o posiciona-mento voltado para a conquista da Imagem Desejada.

π Integrantes da Odebrecht em Angola: reconhecimento da sociedade pela capacidade de contribuir

para o desenvolvimento do país

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MARCELO PONTES Responsável por comunicação na Odebrecht Transport

π Qual a principal mensagem da Política de Comunicação para você?A Política tem muitos méritos. O principal deles é atualizar o assunto em relação ao que está acon-tecendo no mundo. O mundo está conectado. A informação circula em tempo real e interfere na vida de todos. Cada cidadão é uma mídia, é um veículo de informação. Com um celular na mão, ele divulga fatos e opiniões para as mídias sociais e para os meios convencionais (imprensa, rádio e TV). É tudo tão rápido que chega a nos surpreender. Nas operações da TransPort, chega, às vezes, a surpreender até o Centro de Controle Operacional de uma concessionária, por exemplo, pois o cidadão está no local do evento, com um celular na mão, e joga o assunto imediatamente na internet. Por isso, nossas equipes de mídia social trabalham exatamente no mesmo ambiente dos cen-tros de controle operacional. Assim, tanto têm acesso imediato a toda informação sobre a operação como podem transmitir ao Centro de Controle relatos rele-vantes dos nossos usuários clientes.

“ESTAMOS NA VIDA DE MILHÕES DE PESSOAS. UM DOS MÉRITOS DA POLÍTICA É RECONHECER A NOVA MULTIDÃO DE USUÁRIOS-CLIENTES DA ODEBRECHT.”

π De que forma essa atualização contribui para a formação da imagem?A Odebrecht acentuou sua diversificação e hoje presta serviços públicos diretamente a cidadãos, que nos avaliam a todo momento. Precisamos interagir com eles. Temos a Visão 2020, queremos ser uma das 50 organizações mais admiradas do mundo e, portanto, precisamos ter unidade de conceitos e coerência nas ações. Para isso, o mais importante é a prestação de bons serviços. É aí que a imagem co-meça a se consolidar. Mas, além de prestarmos bons serviços, temos que ser transparentes com o usuário cliente. Isso vale para a Odebrecht TransPort e, cer-tamente, para outras áreas de concessão de serviços públicos da Organização. Temos que estar abertos para ouvir o que o cidadão nos traz, seja uma infor-mação, uma opinião ou uma queixa, e dar a resposta certa e rápida.

π Como a Política ajuda nesse esforço de unidade e coerência?

Em 2013, considerando todas as mídias, foram veicu-ladas 17 mil notícias sobre a Odebrecht. Foram quase 50 notícias por dia. Esse volume muito alto de ex-posição mostra a relevância da atuação da Odebrecht. Diante disso, a Política ajuda a dar coerência e unifor-midade à nossa Comunicação. A Política é a bússola que organiza conceitos, dá direção e ajuda a construir a imagem desejada pela Organização.

Ela tem ainda o grande mérito de reconhecer a nova multidão de usuários clientes da Odebrecht. Estamos na vida de milhões de pessoas. Nas con-cessões de rodovias e de mobilidade urbana da Odebrecht TransPort, atendemos a cerca de 10 milhões de usuários. Os 7.500 novos abrigos de ônibus que uma de nossas empresas está implan-tando em São Paulo destinam-se ao universo de 8 milhões de passageiros de ônibus da cidade. No Rio de Janeiro e em São Paulo, transportamos em trens urbanos e metrôs quase 1,5 milhão de passageiros por dia. A partir de agosto deste ano, assumiremos o Aeroporto do Galeão, por onde circulam 17 mi-lhões de pessoas por ano, multidão que queremos aumentar para 80 milhões até o final da concessão, em 2049. Além disso, teremos VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) no Rio de Janeiro e em Goiânia, cada um com capacidade para 250 mil passageiros por dia. Todas essas pessoas nos julgam e nos avaliam a todo momento. A Política, acertadamente, nos orienta a ouvi-las e a dar-lhes respostas convin-centes. É assim que vamos aprimorar o relaciona-mento com elas e a qualidade de nossos serviços. Estar perto delas é a melhor maneira de garantir o que, segundo a Tecnologia Empresarial Odebrecht, é o fundamento da existência da Organização Odebrecht: o cliente satisfeito.

SÉRGIO BOURROULResponsável por comunicação na Odebrecht S.A.

π Que aspecto central você destaca na Política de Comunicação? Todos nós somos responsáveis pela Imagem da Organização, e esse é o ponto central que queremos transmitir. A Odebrecht é um organismo social vivo, cujos integrantes interagem entre si e com o meio externo, impactam esse meio externo e são por ele impactados. A consolidação da Imagem e da marca Odebrecht se dá pela ação de cada integrante no cotidiano, seja no relacionamento com os clientes, com a comunidade e até mesmo no âmbito de sua vida pessoal. A Organização tem valores associados à sua imagem, como a responsabilidade pública,

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73Odebrecht informa

social e ambiental, a integridade, a sobriedade, a transparência, a confiança nas pessoas e a prática de uma cultura empresarial, a Tecnologia Empresarial Odebrecht, que nos une e identifica. A ação de cada um deve refletir isso.

Destaco também as orientações da Política com relação à nossa presença em mídias sociais. O que a Organização espera de todos nós é a consciência de que o nosso comportamento pode impactar a ima-gem empresarial. Portanto, devemos estar atentos ao que publicamos.

“O QUE A ORGANIZAÇÃO ESPERA DE TODOS NÓS É A CONSCIÊNCIA DE QUE O NOSSO COMPORTAMENTO PODE IMPACTAR A IMAGEM EMPRESARIAL.”

π A Política de Comunicação prevê mecanismos para assegurar o alinhamento em todas as frentes, considerando a diversidade e o porte da Odebrecht?Sim, para isso existe o Comitê de Comunicação e Imagem, com papel coordenador, deliberativo e executivo. Fazem parte do Comitê os Responsáveis por Comunicação na holding e nos Negócios, que discutem todos os temas e ações de comunicação que tenham impacto na marca Odebrecht, como a

elaboração de relatórios anuais e vídeos institucio-nais, portais na internet, campanhas publicitárias de natureza institucional, publicações para distribuição externa, entre vários outros.

π Qual o papel da holding Odebrecht S.A. na nova Política de Comunicação?As ações de Comunicação na Odebrecht S.A. visam a preservar e valorizar a marca Odebrecht, assegu-rando sua unidade em torno de nossos princípios e o alinhamento interno frente à nova Política.

Para isso, apoiamos os responsáveis nos Negócios na implantação da Política e contribuímos para a contínua formação e capacitação deles. Também apoiamos os Comitês de Gerenciamento de Crises nos Negócios e acompanhamos a aplicação da arqui-tetura de marca em toda a Organização.

É importante destacar que a comunicação, para a Odebrecht, não é um fim, mas um meio que nos permite estruturar e cultivar relacionamentos ba-seados na confiança entre nossos integrantes e as pessoas que consideramos estratégicas. Entre essas pessoas estão nossos clientes, os usuários clientes, os representantes das comunidades com as quais interagimos em nossos empreendimentos, lideranças empresariais e formadores de opinião, como a mídia. É por meio da Comunicação que consolidamos a nossa Imagem, nossas competências e nossos valo-res para a sociedade. ]

π Integrante da SuperVia, no Rio de Janeiro: serviço prestado diretamente ao público

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D i v e r s i d a d e C u l t u r a l

Texto Guilherme Bourroul | Foto Guilherme Afonso

VÁRIOS SOTAQUES, UMA IDENTIDADENA ODEBRECHT AGROINDUSTRIAL, A HARMONIZAÇÃO DAS DIFERENÇAS CULTURAIS E GERACIONAIS É UMA DAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

π Desilien (à esquerda) e Kleber: compreensão mútua que vem do respeito

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75Odebrecht informa

O mês de abril começou e, com ele, o início da safra 2014/2015 da cana-de-açúcar. Momento de reflexão, fé e esperança. Tradição há décadas, as empresas do setor costumam realizar, nesse pe-ríodo, um culto ecumênico de ação de graças por mais uma safra que se inicia. No Polo Goiás da Odebrecht Agroindustrial, o evento contou com a presença de três líderes religiosos – padre, pastor e ministrante de centro espírita. Em comum, o de-sejo de um bom ano, com superação de resultados e, principalmente, zelando pela segurança de to-dos, seja daqueles diretamente envolvidos na ope-ração – do campo à indústria –, seja da comuni-dade, que também sente o aumento do fluxo de pessoas e veículos pesados nas cidades.

“É com grande satisfação que fazemos o culto ecumênico. Temos sempre de agradecer a Deus e pedir pela preservação da nossa família e da famí-lia Odebrecht. A partir do momento em que for-marmos uma família, todos os resultados pactua-dos serão alcançados”, disse Kleber Albuquerque, Líder da Pequena Empresa Polo Goiás, durante o evento religioso, cuja principal característica é o respeito pela diversidade.

Capacidade de adaptaçãoGerar trabalho e renda para as comunidades em que atua está entre os principais compromissos da

Odebrecht Agroindustrial. Com sete de suas nove unidades na região Centro-Oeste, a empresa con-trata e capacita profissionais dessas localidades. Para se ter ideia, os integrantes oriundos dos três estados do Centro-Oeste representam atualmente 42% do efetivo total da empresa.

Apesar de a Odebrecht Agroindustrial investir anualmente R$ 5 milhões em capacitação e de-senvolvimento de seus integrantes, a atividade sucroenergética exige conhecimento técnico, que, muitas vezes, precisa ser suprido com a contra-tação de profissionais especializados. A empresa tem integrantes de todos os estados brasileiros. A adaptação nem sempre é fácil, pois há muitos costumes diferentes, e a distância é muito grande. “Como boa parte dos integrantes é de fora, cria-mos um grupo que ajuda cada pessoa que chega”, diz Kleber. Nascido em Pernambuco, ele fala com propriedade do assunto. Depois de sair de seu es-tado natal em 2006, ele já morou em Alagoas, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.

A diversidade está no DNA da empresa e não apenas no aspecto geográfico e cultural. Nela, tra-balham pessoas de diferentes gerações: jovens que representam a nova realidade do trabalho e da vida no campo, na qual estão presentes a alta tecnolo-gia, avançados programas de capacitação e profis-sionais mais maduros, que viveram uma época do

π Lídia: “Aos poucos, precisei enfrentar meus medos”

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Um longo caminho

No início de 2012, Brasil e Haiti firmaram um acordo que concedeu 1,2 mil vistos permanentes ao país caribenho, devastado dois anos antes por um terremoto. Inserindo-se nesse esforço de ajuda humanitária, a Odebrecht Agroin-dustrial ofereceu 23 vagas para haitianos ingressarem no Polo Goiás.

Desilien Ceus foi um deles. Até chegar a Cachoeira Alta, município goiano onde mora, o caminho foi longo. Ceus saiu de Gonaives, cidade a 200 km da capital Porto Príncipe, e fez paradas na República Dominicana e no Peru, antes de conseguir chegar ao Acre, onde permaneceu por um mês.

“Fui muito bem recebido. Os brasileiros respeitam as pessoas e as diferenças. Aqui é como se fosse minha terra”, afirma. Apesar do respeito e da tolerância, Ceus tem se esforçado para melhorar sua adaptação ao Brasil. Ele mora com outros dois compatriotas. Quando estão juntos, dialogam em creolle, segundo idioma do Haiti, cuja língua oficial é o francês.

Apesar disso, seu português está cada vez melhor. Ceus retomou os estudos. Está cursando o 5º ano do Ensino Fundamental. “No primeiro sábado em que fui à igreja, já encontrei uma família. No trabalho não é diferente. Todos respeitam as diferenças culturais.”

setor em que ainda eram praticados os costumes dos antigos engenhos. “A união dos dois perfis traz bons resultados; temos um clima mais har-monioso”, relata Kleber.

Outro traço importante é a maciça presença fe-minina: 17% do total, muito superior à média do setor. Lídia Toledo está há mais de cinco anos na Agroindustrial. Ela tem uma história marcada pe-la superação. Embora seja natural de Cidrolândia (MS), foi criada no Paraguai, onde viveu até os 15 anos. Quando retornou, passou por um processo de adaptação. “É outra cultura, outra comida, outro ambiente. Quando vim para cá, eu não saía de ca-sa. Não falava nem ‘oi’ para os vizinhos, com medo de falarem comigo.” Ela relata que, além da timi-dez, precisou superar as brincadeiras que os ou-tros jovens faziam em relação ao seu sotaque. “Aos poucos, precisei sair do meu esconderijo e enfren-tar meus medos”, relembra.

Segundo Lídia, a dificuldade de falar portu-guês também foi um empecilho na busca por uma oportunidade profissional. “Eu precisava trabalhar, mas não tinha muita opção porque eu não me fa-zia entender”, conta. Ela ingressou na empresa no serviço de plantio e, apenas cinco anos depois, já é Líder de Frente. Mais que isso: foi escolhida para apoiar o supervisor agrícola em três frentes, com quase 90 integrantes. “O respeito que conquistei da equipe vai muito além da minha voz e do meu sotaque”, afirma. ]

28%Sudeste

8%Sul

42%Centro-Oeste

1% Norte

20% Nordeste

O PAÍS EM CAMPOOdebrecht Agroindustrial temintegrantes origináriosde todos os estadosbrasileiros

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77Odebrecht informa

Texto Patrick Cruz | Foto Andrés Manner

HARMONIA QUE VEM DE CASANA VENEZUELA, FAMILIARES TRABALHAM JUNTOS E CONTRIBUEM PARA A INTEGRAÇÃO NA MULTICULTURALIDADE DOS CANTEIROS

O extrovertido Carlos Vergara não hesita em pro-vocar brincadeiras com os colegas de trabalho, ao fazer referência aos, digamos, “contatos privi-legiados” que ele tem na área administrativa da obra da Terceira Ponte sobre o Rio Orinoco, na Venezuela. “Quando entro em uma sala, falo para que todos se comportem, senão vou dedurá-los para a mulher do dinheiro”, diz ele, entre risos. Vergara, Responsável por Suporte Operacional e Segurança Patrimonial da obra, localizada em

Caicara del Orinoco, no Estado Bolívar, a 500 km de Caracas, é casado com Maria Beatriz Figueras, que atua na área financeira do projeto. O exemplo do casal venezuelano mostra que a convivência entre marido e mulher, no ambiente de trabalho pode ser muito salutar – para os cônjuges e para a empresa.

Maria Beatriz ingressou na Odebrecht em 2001, para atuar no programa Financeiro da Segunda Ponte sobre Rio Orinoco, obra já

π Carlos, Maria Beatriz e Carlitos: “nascido” na Odebrecht

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D i v e r s i d a d e C u l t u r a l

concluída. Na ocasião, a pedido de seu líder, Maria Beatriz sugeriu cinco nomes de candida-tos para assumir a responsabilidade pelo Suporte Operacional da obra - e nenhum deles era o de seu marido, embora ele tivesse perfil e experi-ência que se encaixavam na vaga com precisão. “Nunca pensamos que seria possível trabalhar no mesmo lugar. O comum é que as empresas desestimulem isso”, diz ela. Como as indicações apresentadas por Maria Beatriz acabavam não tendo o perfil exato para o posto, ela mencionou que seu marido tinha os requisitos necessários, e assim as portas se abriram. Vergara entrou na Odebrecht no mesmo ano.

Entre 2006 e 2008, antes de chegar à obra da Terceira Ponte, o casal passou pelo projeto da Hidrelétrica Tocoma, no Rio Caroní, também no Estado Bolívar. Eles não assumiram suas funções

simultaneamente em Tocoma e na Terceira Ponte, mas seus líderes sempre colocaram como prioridade a tentativa de fazer que o casal pudes-se ficar junto assim que possível.

“A filosofia da empresa é de confiança nas pes-soas”, diz Maria Beatriz. “E responsabilidade não se delega: ou você tem ou você não tem.” Unidos em casa e no trabalho, Carlos e Maria Beatriz têm hoje a companhia de Carlitos, fã de fute-bol e do craque argentino Messi. “Ele nasceu na Odebrecht”, diz o pai.

Intrigrado com a dedicação da namoradaJose Luis Paz Lopez e Tania Carolina Finol Boscan também são exemplos de união tanto em casa quanto no trabalho. Tania entrou na Odebrecht em 2004, como trainee, no projeto agrário de Maracaibo. Jose Luis, seu namorado desde 1999,

π Jose Luis e Tania: exemplo de união em casa e no trabalho

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79Odebrecht informa

Um certo jeito nômade de ser

quando os dois ainda estavam na faculdade, con-fessa que, até então, não conhecia a empresa. Mas ele começou a ficar intrigado com a dedi-cação da namorada, que, quanto mais trabalha-va, mais satisfeita profissionalmente parecia es-tar. “Como ela não se queixava, mesmo em época de maior volume de trabalho, pensei: ‘Eu quero trabalhar nessa empresa para descobrir do que Tania gosta tanto nela’”, conta ele, Responsável por Produção nos Projetos Habitacionais Gran Caracas, em Chorritos (em Los Teques, na re-gião metropolitana de Caracas), empreendimento

π José Carlos: laços mais fortes com esposa e filhos

de moradia popular do Governo venezuelano. Tania é Responsável por Projetos e Controle de Qualidade do canteiro dos Projetos Habitacionais Gran Caracas, em Santa Cruz (Guarenas, também na Grande Caracas).

“Se estamos juntos, as preocupações com os filhos ou com nosso cotidiano diminuem. E pes-soas satisfeitas rendem mais no trabalho”, diz Tania. Eles têm hoje um casal de filhos, Amanda e Matías, nascidos em 2010 e 2012, respectiva-mente. Dois frutos de uma união que se mantém dentro e fora do trabalho. ]

Aos 49 anos, Mariano Domingues, Diretor de Desenvolvi-mento de Negócios da Odebrecht Infraestrutura – América Latina, passou mais da metade da vida trabalhando na Organização. Ele ingressou como trainee, há 28 anos, e rodou o mundo em diferentes projetos. “A gente sente a empresa como parte da família”, diz ele.Mariano, engenheiro civil, entrou na Odebrecht em Recife, sua cidade natal. Sua trajetória incluiu projetos no Equador, África do Sul, Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Portugal, Guiné, Gana e, agora, Venezuela. “O interessante é que estar na mesma empresa durante todo esse tempo não significa acomodação”, afirma. “Ao contrário. Como cada projeto e cada país são um recomeço, a sensação é sempre de um novo aprendizado, um novo desafio.”Dos 28 anos de Odebrecht, Domingues está há 20 fora do Brasil, acompanhado, desde o início, pela esposa, Ana Cláudia. Eles têm dois filhos, Mariana, 19 anos, e André, 18, ambos nascidos quando o casal já tinha deixado o país. “Há quem ache que tanto tempo fora do Brasil nos faz perder as raízes. Na verdade, reforçamos ainda mais nossa identi-dade, e a família ficou ainda mais unida”, diz.José Carlos Camargo também está perto de completar três décadas de Odebrecht: ele é integrante da Organização há 27 anos. Depois de passar por projetos em Goiás, Sergipe, Rio Grande do Norte, Ceará e Minas Gerais - intercalados por um ano de afastamento para cursar um MBA na Ingla-terra -, Camargo partiu para Angola em 2005. No início de 2010, ele mudou-se com a família para a Venezuela, onde hoje é Diretor de Contrato da Hidrelétrica de Tocoma. “Esse nosso lado ‘nômade’ nos afasta de pais, tios, primos, mas nos aproxima ainda mais da esposa e dos filhos”, diz ele. “E, na empresa, acabamos ganhando outra família.”

π Mariano: a empresa como parte da família

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P A P O F I N A LP A P O F I N A L

QUANDO O PORTO TAMBÉM É LAR

π Como se poderia resumir seu périplo pelo globo?Quando eu tinha 15 anos, minha família se mudou para Vitória, no Espírito Santo. Entrei na Odebrecht na Bahia, em 1983, na área de Equi-pamentos. Em 1991, passei para o programa de Produção. Participei de projetos de reassentamento e de irrigação em Pernambuco, onde também tive a oportunidade de conhecer uma obra portuária, em Suape. Depois, fui para as obras do Píer III, em São Luís, meu pri-meiro grande desafio na área por-tuária. Em 2004, fui para Djibuti, no extremo leste da África, onde fiquei um ano e seis meses. Em seguida, voltei ao Maranhão para a ampliação do Píer III. Passei quatro anos no Peru, retornei novamente ao Maranhão, para participar das obras do Píer IV, depois passei dois anos na Argentina e há seis meses estou em Angola. Claro que tudo isso com o apoio da minha esposa e das minhas filhas em todos os momentos.

O engenheiro eletricista Eustáquio Antônio Ferreira Souto saiu da pequena cidade de Resplendor, em Minas Gerais, para ganhar o mundo. Gerente de Produção do Terminal Marítimo do Projeto Sonaref, em Lobito, Angola, ele já passou por Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, Maranhão, Djibuti, Peru e Argentina. Um verdadeiro globetrotter, que tem sabi-do aproveitar as oportunidades de conhecer novas culturas e outras maneiras de viver.

EUSTÁQUIO SOUTO, GERENTE DE PRODUÇÃO DO TERMINAL MARÍTIMO DO PROJETO SONAREF

Texto Eduardo Souza Lima / Foto Kamene Traça

π Você ajudou a Odebrecht a entrar no mercado de Djibuti. Como foi essa experiência?Estive em Djibuti após a empresa conquistar seu primeiro contrato naquele país. De acordo com a Tec-nologia Empresarial Odebrecht, nós é que temos que nos adaptar aos países, e não eles a nós. Cada nação tem as suas particularidades. Em Djibuti, no nosso canteiro de obras, eram falados 15 idiomas e dialetos, e havia integrantes de 25 países. Como havia muitos muçulmanos, tínhamos que respeitar os horários das orações deles, principalmente no período do Ramadã. A culinária angolana se parece com a do Brasil. Para Djibuti, porém, tivemos que levar feijão.

π Como está sendo o trabalho em Lobito?É um porto diferente. Antes dele, só havíamos construído portos usando estacas, que são cravadas/escavadas no solo. Nessa tecno-logia, usamos blocos de concreto. Os chineses da empresa Chec – China Harbour Engineering Company Ltd.

haviam feito uma obra idêntica na cidade de Lobito, e a Odebrecht con-tratou seus serviços.

π E a relação de trabalho com os chineses, como é?A relação é boa. Respeitamos seus costumes e também aprendemos com eles. Começam a trabalhar às 6 horas da manhã e param para almoçar às 11h30. Depois, dormem até as 14 horas. É o costume deles, e, assim, produzem mais. Saíram do país deles para trabalhar e levam isso muito a sério. Para contribuir na relação com eles, temos programas de treina-mento baseados em nossas políticas de Segurança, Meio Ambiente e Qualidade, trabalhando em conjunto. Também temos focado no relaciona-mento social: fazemos jantares, eles participam da nossa “resenha” e das atividades esportivas. ]

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Fazem parte da Organização Odebrecht:

NegóciosOdebrecht Engenharia IndustrialOdebrecht Infraestrutura - BrasilOdebrecht Infraestrutura - América LatinaOdebrecht Infraestrutura - África, Emirados Árabes

e PortugalOdebrecht Estados UnidosOdebrecht Realizações ImobiliáriasOdebrecht AmbientalOdebrecht LatinvestOdebrecht PropertiesOdebrecht TransPortBraskemEnseada Indústria NavalOdebrecht AgroindustrialOdebrecht Defesa e Tecnologia

InvestimentosOdebrecht Energias BrasilOdebrecht Africa FundOdebrecht Latin Fund

Empresa AuxiliaresOdebrecht Comercializadora de EnergiaOdebrecht Corretora de SegurosOdebrecht PrevidênciaOdebrecht Engenharia de ProjetosOdebrecht Serviços de Exportação

Ação SocialFundação Odebrecht

RESPONSÁVEL POR COMUNICAÇÃO NA ODEBRECHT S.A.Sérgio Bourroul

RESPONSÁVEL POR CONTEÚDO E GESTÃO DA MARCA NA ODEBRECHT S.A.Karolina Gutiez

COORDENAÇÃO EDITORIALVersal EditoresEditor José Enrique BarreiroEditor Executivo Cláudio Lovado FilhoEditora de Fotografia Holanda CavalcantiArte e Produção Gráfica Rogério Nunes

Tiragem: 3.286 exemplaresPré-impressão e Impressão Ipsis

Redação:Rio de Janeiro (55) 21 2239-4023São Paulo (55) 11 3641-4743e-mail: [email protected]

Você pode ler a revista Odebrecht Informa também:* na internet, no site www.odebrechtinforma.com.br, onde poderá acessar vídeos e outras reportagens* pelo iPad, baixando gratuitamente o aplicativo Revista Odebrecht na App Store

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contribuiçãoQuito, Maputo e Abu Dhabi. Três cidades em que os integrantes da Odebrecht estão presentes, com sua capacitação e seu espírito de servir. Três ambientes nos quais eles protagonizam complexas e inspiradoras experiências de integração de pessoas originárias de culturas diferentes. Mundo afora, a atuação da Odebrecht também proporciona isto: uma inequívoca demonstração de que o ser humano quer se aproximar de seus semelhantes (por mais distintos que sejam seus hábitos, suas tradições e suas convicções), conhecê-los e compartilhar com eles seus sonhos e realizações.